MANUEL MAGALHÃES “MAESTRO MAGALHÃES”

por Francisco Tadeu

Falar de Manuel Magalhães é falar de uma pessoa que tive o privilégio de o conhecer bem nas suas duas grandes facetas da sua vida.

A de tipógrafo e músico.

Devido á minha vida profissional, muitas conversas tive com o sr. Magalhães na “antiga Gráfica Minhota”.

Lá estava sempre o homem disponível a atender para executar os serviços de tipografia, sempre com muito cuidado, para poder fazer “provas” dos produtos e executar a tempo e horas.

Nesses intervalos dava para se falar de muita coisa, mas a grande paixão do Sr. Magalhães era a Música.

Foi assim que eu o conheci um pouco, quando ele contava as suas histórias, por onde tinha começado e andado.

Mais tarde vim a conviver muito mais com ele, nas famosas Danças Nicolinas, onde ele calmamente ensaiava as musicas com o Prof. Óscar (onde tinha uma grande paciência para trabalhar em conjunto) e mais tarde como responsável musical das Danças.

Mas o que contava o Sr. Magalhães?

Que tinha andado na célebre Banda dos Guises, que ensaiava, nos célebre “esqueleto” dos Bombeiros Voluntários de Guimarães (casa de ensaios dos Bombeiros), nas antigas instalações (hoje Triangulo Comercial).

Depois de passar por varias Bandas de Música, a sua paixão estava nos TROVADORES DO CANO.

Onde fosse necessário entrar música, lá estava o Magalhães e o Lobo com o nome dos Trovadores do Cano.

Era uma alegria vê-lo sempre com a sua malinha(clarinete) na sua mão, pois sempre que podia lá estava a tocar e muitas vezes a compor.

Assim o vi a criar para as Danças Nicolinas, para o Dia da Restauração (1º de dezembro), ou então para o Cantar de Reis.

Muito a cidade de Guimarães fica de dever a este HOMEM, porque tudo que fazia ou lhe era pedido, fazia sempre sem olhar ao seu beneficio, mas sim em beneficio da cidade ou então dos seus Trovadores do Cano.

Era ver a sua alegria nas antigas instalações nas Cancelas da Veiga (hoje Associação Académica da Universidade do Minho), onde passava todos os seus momentos.

Depois na angariação de fundos para a nova sede, onde hoje estão instalados.

Tudo fazia, desde cozinheiro, ajudante de cozinha, servente de mesa, tudo em prol dos Trovadores do Cano.

Mas se tudo fazia, e se lhe pediam para tocar aí os seus olhos logo sorriam, pois era a sua alegria.

Nos tempos em que participei nos ensaios das Danças Nicolinas ele era o primeiro a chegar cerca das 20.30h e o ultimo a sair, lá pelas 0.30h, sempre com o sorriso estampado no rosto.

Mas na manhã seguinte lá estava na tipografia, para fazer o seu serviço como responsável que era.

Tudo tentou para criar a escola de musica, o teatro, o canto nos Trovadores, para poder usar o seu Clarinete.

Era um gozo vê-lo a participar na Marcha Gualteriana, onde ele la no meio animava todos os músicos.

Amigo Magalhães, não tenho palavras para exprimir os bons momentos e as boas conversas que tivemos, quer na Tipografia, quer nos Trovadores ou até mesmo nos locais onde muitas vezes nos encontrávamos ou passávamos.

Podíamos falar de tudo, mas uma das que não podia faltar era sempre a mesma pergunta,

“Quando apareces nos Trovadores?”

Eu sempre lhe respondi que um dia iria lá.

Fico agora com pena de não ter ido.

Fica aqui a minha pequena homenagem a UM HOMEM QUE NÃO PRECISOU DE TER NOME NOS JORNAIS, para fazer uma grande obra e deixar um Grande Legado à cidade onde nasceu e cresceu.

ADEUS AMIGO MAGALHÃES

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