A MAGIA DO NOVO CIRCO CHEGA A GUIMARÃES

Nos próximos dias 12 e 13 de maio, o Centro Cultural Vila Flor (CCVF), em Guimarães, direciona um forte olhar ao Novo Circo, um universo artístico cada vez mais estimulante e transformador sobre os territórios onde se instala. Este programa, de um fim de semana só, representa uma amostra de alguns dos muitos laureados do CircusNext, projeto europeu de apoio aos jovens autores nesta área, que conta com A Oficina como único parceiro português. Uma experiência tão completa quanto possível que, para além dos espetáculos “Black Regent”, de Iona Kewney, e “Nebula”, da Cie du Chaos, inclui formação (workshop), pensamento sobre o presente e futuro (debate) e o indispensável encontro do público com os artistas (conversa pós-espetáculo).

O programa do European Season of Circus Arts Weekend arranca no dia 12 de maio, sexta-feira, às 18h30, com um Workshop com Rafael de Paula, criador do espetáculo que sobe ao palco do Grande Auditório do CCVF na noite seguinte. Neste workshop, o objetivo principal será a partilha da condição física com os participantes, foco do trabalho de Rafael de Paula. Através de diferentes estados, como a lentidão ou a velocidade, os participantes e o próprio artista irão criar diferentes estados emocionais. Intitulado “Awakening”, o workshop pretende tornar experiências por vezes contraditórias (como a ternura e a violência) fisicamente experimentáveis. Tentar-se-á acordar os cinco sentidos através de simples movimentos – uma experiência que conecte cada um com o seu corpo, no presente.

No sábado, o European Season of Circus Arts Weekend abre, às 16h00, com um debate sobre a realidade atual e futura do circo contemporâneo em Portugal. Um encontro para agregar todas as forças do universo do circo contemporâneo e lançar bases de cooperação nas várias frentes da formação, criação e circulação.

Às 18h30, o Pequeno Auditório do CCVF recebe o primeiro espetáculo deste programa, protagonizado pela artista Iona Kewney que apresenta “Black Regent”, um solo visceral e frenético que perpassa vários estados de espírito: o amor, o medo, a histeria, o caos, a urgência do agora. Iona Kewney executa movimentos únicos que emanam uma força e poder tremendos mas que, ao mesmo tempo, expõem as maiores fragilidades do ser humano. A arte não pode ser traduzida ou deslindada e este espetáculo, mais do que uma peça, é uma experiência. Sentimos a intensidade imposta a cada movimento, a cada espasmo, a música barulhenta a servir de paisagem a um universo de caos, em busca de um lugar de pacificação, redenção, a procura de algum controlo no meio da loucura. Iona pega na plateia e arrasta-a com ela às profundezas do ser para tudo sentir a cada contorcer do corpo, a cada batida da música que nos prende. Uma viagem para dentro do que somos.

Às 21h30, é a vez do Grande Auditório do CCVF acolher uma fabulosa criação da Cie du Chaos, “Nebula”, com assinatura de Rafael de Paula. “Nebula” é uma peça sensorial que cruza o circo e as artes digitais e que testa os limites da gravidade com dois artistas que se digladiam num duelo dançado no mastro chinês. Uma coreografia desenhada em cima das linhas da intimidade, esboço da complexidade de uma relação entre duas pessoas. Os corpos unem-se ou apartam-se, como um impulso magnético que ora atrai ora repele. Embrulham-se um no outro ou fogem, partilham alegrias e receios, sorrisos, vitórias e fracassos. Um cenário de nevoeiro e imagens esculpidas pelo movimento dos acrobatas. Como um organismo vivo que ecoa os sentimentos que nutrem um pelo outro. Criam-se formas abstratas que são o espelho do relacionamento, o eco de uma vida interior. No final do espetáculo, o foyer do Grande Auditório converte-se no espaço ideal para acolher uma conversa indispensável entre o público e os artistas presentes neste programa.

Recordamos que A Oficina, em Guimarães, é a única estrutura portuguesa envolvida no projeto CircusNext. Através da participação nesta rede europeia, A Oficina pretende ser um motor impulsionador da criação artística do Novo Circo em Portugal, aproveitando e explorando a dimensão e a troca de experiências num contexto europeu, inserida num projeto ímpar que quer trazer um novo dinamismo a esta disciplina através de um trabalho em rede, facultando formação e promoção num projeto com uma visão de futuro e continuidade, onde artistas e companhias desfrutam da partilha de conhecimento e recursos de todos os intervenientes.

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