A PENHA NO CENTRO DA CANDIDATURA A CAPITAL VERDE EUROPEIA

A Penha faz parte do passado de Guimarães, foi construída com o esforço das suas gentes. A Montanha assume agora, com a candidatura a Capital Verde Europeia, novamente um lugar central na vida da cidade.

A construção do Santuário durou 17 anos entre 1930 e 1947

Para o juiz da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo da Penha o recente anúncio pelo presidente da Câmara Municipal de Guimarães, da formação de uma equipa de trabalho, envolvendo o próprio Município, a Universidade do Minho, membros do executivo da Candidatura a Capital Verde Europeia e o Laboratório da Paisagem, no sentido de elaborar um plano de ação que conduza a classificação da Montanha da Penha na Rede Nacional de Áreas Protegidas é o reconhecimento “finalmente” de que a Montanha tem “um papel importante no que é o verde a ecologia, os recursos naturais de Guimarães”. Para Roriz Mendes apesar de a “Penha ter sido um encanto para os vimaranenses”, devido a algumas “conjunturas” a Câmara tem “em alguns momentos” beneficiado outros pontos do concelho em detrimento da Penha. “Este é o momento em que os responsáveis pela Candidatura à Capital Verde Europeia e camarários reconhecem que a Penha pode potenciar a candidatura, para que ela venha a ser aprovada e a Irmandade da Penha está de braços abertos”, afirma o juiz da Irmandade.

Roriz Mendes é o juiz da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo da Penha

Roriz Mendes afirma que a contabilidade daquilo que a Penha dá à cidade e aquilo que dela recebe ainda está por fazer. Embora não haja dúvida que a qualidade de vida na cidade é altamente influenciada pelo pulmão verde da Montanha da Penha. “O Município tem estado em débito estes anos todo”, diz Roriz Mendes, referindo-se não a questões financeiras mas à falta de políticas que potenciem a Penha. Relativamente a questões mais concretas o juiz da Irmandade lembra que a água que se bebe em Guimarães vem da Penha, durante muitos anos esta era mesmo a única nascente. A Montanha continua hoje a fornecer água à cidade, porém, “a Penha não tem rede pública de distribuição de água”. Para Roriz Mendes uma forma de compensar a Penha seria “estender a rede pública de distribuição de água à Penha”.

Monumento de homenagem ao papa Pio IX ainda sem vegetação envolvente

Desde o plano de reflorestação em 1998, a que se seguiu um segundo plano de recuperação do edificado e da rede viária, a Irmandade tem uma equipa constantemente no terreno. Numa primeira fase foi preciso eliminar as plantas infestantes, as mimosas os eucaliptos e por outro lado valorizar as plantas autóctones. “De tal forma que hoje se percebe o limite do território tratado pela Irmandade pela copa das árvores”, regozija-se Roriz Mendes. O responsável afirma, no entanto, que “fizemos este trabalho sempre muito sozinhos” e acrescenta que é um processo continuo que custa à Irmandade 50 mil euros ano e que ao longo dos anos já envolveu cerca do um milhão de euros. Este é um trabalho que vai além e manter a floresta bonita, é fundamental para manter o fogo afastado da mancha florestal da Penha. Roriz Mendes diz que aquilo que agora foi anunciado por Domingos Bragança vai acelerar um processo de cadastro dos proprietários na encosta da Penha e que, em seu entender é fundamental para a preservação da Montanha. Para se conseguir a classificação da Montanha a Câmara terá que, a exemplo do que faz para o urbanismo, “estabelecer regras para a florestação”, afirma o responsável da Irmandade da Penha.

Roriz Mendes põe a tónica na viabilidade económica da Penha. Segundo o juiz da irmandade a Penha pode e deve ser economicamente rentabilizada e lembra os casos da Ria Formosa, dos passadiços do Paiva ou da Mata do Buçaco. Para o juiz da irmandade o que agora foi anunciado pela Câmara Municipal, vem no seguimento de um trabalho que se iniciou com o Plano de Requalificação de 1998. Foi feito um ordenamento do espaço, foram criados parques e estacionamento “na orla de quem chega de Mesão Frio e na orla de quem chega da Costa” e a varante agora anunciada já estava neste projeto, “por razões de conjuntura nunca foi feita”. Depois da criação do teleférico e da construção de parques de estacionamento a única forma de tirar os carros do núcleo central é a construção desta via. “Queremos ser Parque Natural e não se pode ter um Parque Natural enxameado de carros”, diz Roriz Mendes. A via é de interesse municipal, em parte os terrenos são da irmandade “na parte que não são o Município tem os instrumentos para resolver o problema”.

 “Há muitos anos que me bato por o teleférico como um meio de mobilidade para os vimaranenses. As pessoas de Guimarães estão a pagar o mesmo que um japonês ou um americano que aqui vem uma vez na vida”, Roriz Mendes

Apesar de reconhecer que esta é uma luta de anos “que nunca teve colhimento”, Roriz Mendes acredita que “este é o momento”. “Isto depende de quem manda no teleférico, quem manda no teleférico é o Município”, afirma o responsável. Para o juiz da Irmandade da Penha “não vai ser preciso subsidiar a subida dos cidadãos de Guimarães à Penha, o responsável acredita que a solução que se vier a encontrar vai aumentar as receitas da Turipenha.

Domingos Bragança anunciou a instalação no Hotel da Penha dos Laboratórios de Cozinha Científica

Relativamente ao Hotel da Penha o juiz da Irmandade afirma que desde 2015 o espaço passou a ter condições para se projetar para o futuro. Até aquele momento um arrendamento de quase 50 anos, com um valor de 80 euros por mês, fez com que o hotel chegasse a um estado de decadência. Entretanto há um projeto de profunda remodelação profunda do hotel que está em fase de “estudar hipóteses de estudar o mercado”. Foi neste âmbito que foi lançado o desafio à Câmara para ali situar o hotel escola anunciado pelo Município, diz o juiz da Irmandade. Domingos Bragança anunciou a instalação no Hotel da Penha dos Laboratórios de Cozinha Científica. Roriz Mendes diz que “não é bem o que nós queríamos”.

Os benefícios para a Penha perdurarão independentemente da Candidatura a Capital Verde Europeia

Para o juiz da Irmandade os ideias anunciadas pelo presidente da Câmara precisam de ser consubstanciadas e independentemente de a candidatura a Capital Verde Europeia ser ou não bem sucedida, os benefícios para a cidade ficarão por muitos anos.

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