ÁGUAS DO NORTE PREPARAM-SE PARA DEIXAR GUIMARÃES

A empresa está a concentrar os seus serviços em Barcelos, onde tem instalações próprias, e em Vila Real. O polo de Viana do Castelo já foi encerrado, e segundo informações a que o Mais Guimarães teve acesso o mesmo está previsto acontecer na cidade berço a breve prazo.

Na realidade o processo já terá começado, com uma redução de pessoal a prestar serviço no edifício que a empresa mantém alugado ao Vitória, no Estádio D. Afonso Henriques. Estes funcionários que saíram do polo de Guimarães foram distribuídos pelas estações de tratamento. A reorganização da empresa é evidente quando se repara que um dos pisos alugados já não tem ocupação. Apesar da saída de alguns funcionários, o encerramento do referido piso faz com que os que ficaram estejam, nas palavras de um deles, “amontoados” num único piso.

O contrato com o Vitória dura até 2021 e tem um valor aproximado de 700 mil euros

Segundo funcionários do polo de Guimarães, as chefias já terão anunciado verbalmente que o destino da empresa na cidade seria o encerramento, e que a formalização deste desígnio estaria para breve. A solução para os funcionários passará por serem deslocados para Barcelos (41,6 quilómetros) ou para Vila Real (85,6 quilómetros). Foi o que aconteceu aos colegas de Viana do Castelo, que apesar de terem proposto à Águas do Norte a ocupação de lugares nas estações de tratamento do concelho, acabaram deslocados para Barcelos.

Num abaixo-assinado que recentemente circulou entre os funcionários, do polo de Guimarães, da Águas do Norte, dirigido à Câmara Municipal de Guimarães e às empresas do concelho e dos concelhos limítrofes, propõe-se a concentração da actividade da empresa na ETAR de Serzedo, onde a empresa tem instalações próprias. Isto permitiria, por um lado, que a empresa não saísse do concelho, com óbvios problemas para particulares e empresas, por outro, que os funcionários e as suas famílias não fossem lesados por uma deslocação que no mínimo será de 40 quilómetros, mas que pode ultrapassar os 80.

A Águas do Norte foi formada a 29 de maio de 2015, resultando da fusão da Águas do Douro e Paiva, Águas de Trás os Montes e Alto Douro, Simdouro – Saneamento do Grande Porto e Águas do Noroeste. A Águas do Noroeste teve origem na fusão da Águas do Ave, com a Águas do Cávado e Águas do Minho e Lima. A empresa que inicialmente se instalou em Guimarães foi a Águas do Ave. Com toda a lógica a denominação da empresa fazia referência à região do Ave, mesmo quando se formaram as Águas do Noroeste a empresa manteve a sua centralidade em Guimarães, porém, agora com a Águas do Norte essa centralidade parece ter-se perdido.

Em julho de 2015 a Câmara de Guimarães deliberou a venda da sua posição accionista na Águas do Norte. Domingos Bragança afirmou na altura que o Município “emitiu e comunicou parecer desfavorável” à criação da Águas do Norte, quando foi auscultado pelo Ministério do Ambiente sobre o projecto, “apoiado num parecer emitido pela Vimágua”. O presidente da Câmara dizia na altura: “em conjunto com a maioria dos municípios accionistas da Águas do Noroeste, Guimarães votou favoravelmente em assembleia geral uma deliberação contrária à criação deste novo sistema multimunicipal”. A venda da participação da Câmara Municipal de Guimarães na Águas do Norte foi aprovada com os votos socialistas e da CDU. O vereador do PSD, André Coelho Lima, disse na altura que, “participação do município na empresa é mais favorável do que a saída” e que, “”a lógica de participação numa empresa de alcance geográfico maior é o mesmo de uma menor”.

A Câmara de Guimarães vendeu a sua participação na Água do Norte

Questionadas sobre este assunto, a Câmara Municipal de Guimarães e a Águas do Norte ainda não se pronunciaram. A actual direcção do Vitória, na qualidade de proprietário do imóvel onde está a instalada a Águas do Norte, afirma que espera que o contrato se cumpra com normalidade. O contrato de arrendamento do espaço ocupado pela Águas do Norte tem duração até 2021, com uma renda mensal de aproximadamente 15 mil euros, o que totaliza, até ao final do contrato, aproximadamente 700 mil euros. A lista, concorrente às eleições do Vitória Sport Club, Novo Vitória, afirmou desconhecer a intenção da Águas do Norte de sair das instalações que ocupa no Estádio D. Afonso Henriques, ou qualquer contacto que tenha havido com a atual direção para renegociar o contrato. Ainda assim, afirmam que o contrato deve ser cumprido.

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