ATENTOS AOS SINAIS DE DEUS

por Padre José António Fernandes Antunes

Pároco da Unidade Pastoral de São Sebastião e São Paio.

 

Ainda a saborear a audiência que o Papa Francisco concedeu a um grupo que participou num congresso de Musica, em Roma e na qual eu ofereci ao Papa Francisco um cachecol do Vitória, fui abordado pelo diretor do “Mais Guimarães” para fazer um artigo de opinião no mesmo semanário. Escrever sobre quê? E este pensamento andou a bailar na minha cabeça até que, facilmente, escolhi o tema até pelo facto do gesto que tive com o Papa Francisco e o mesmo ter uma repercussão que eu não imaginava que tivesse.

E, mais uma vez, estou a escrever sobre o facto do futebol e a bola ter muito a ver com a minha opção fundamental: ser padre.

Perguntarão: que tem a bola de futebol com uma opção tão importante na vida de uma pessoa? E a resposta é a seguinte: temos que estar atentos aos sinais que Deus nos dá. E como muitas vezes já disse: se eu não gostasse de futebol talvez não fosse padre. Porquê? E aqui a minha memória leva-me até 1967, criança. 4ªclasse.

E aconteceu que estando na sala de aula, em Creixomil, foi um sacerdote, penso que do seminário do verbo Divino falar da necessidade de padres para a Igreja. Ia falando mas eu não estava lá muito atento. Ele dizia que no Seminário havia tempo para  rezar( e eu interiormente dizia, em casa já rezo com pais. Escuso de ir para o Seminário); também se estuda( e eu pensava, aqui também estudo…); joga-se futebol. Aqui a minha atenção despertou. Porquê: porque na altura jogávamos futebol no adro da Igreja sujeitos a apanhar umas palmadas quando se partiam alguns vidros  e noutros lugares onde jogávamos quando chegavam os mais velhos punham-nos a andar porque éramos pequenos e lá íamos tristes para casa. Jogar futebol sem ninguém me castigar! Que bom!

Eu quero ir para o seminário! E esta vontade era tão forte que não mais me calei e chegado a casa da escola disse á minha mãe que queria ir para o seminário e ela, preocupada, porque éramos 6 irmãos, o pai era o único que trabalhava e a economia da casa era muito rígida e agora com uma despesa suplementar, a mãe dizia: “tu vais mas é para o semicanário”. Não que ela não quisesse respeitar a minha vontade mas …

E assim, no final do ano escolar, fiz o exame estágio no seminário e o exame da admissão para a escola industrial. Isto para no caso de não ser admitido no seminário entrar na escola industrial.

Passei nos dois exames e optei pelo seminário de Braga. Comecei a minha caminhada em outubro de 1967. E a bola de futebol foi a atração fatal, o objeto que Deus se serviu para me “apanhar”.

Foi o principio e, naturalmente, depois foi amadurecendo na minha caminhada a razão de ser padre e em 20 de Julho de 1980 fui ordenado padre por D. Eurico Dias Nogueira, Arcebispo de Braga.

Hoje, passados 36 anos, continuo com a mesma ideia: é necessário estarmos atentos aos sinais que Deus nos dá porque Ele continua a chamar e se há poucos padres uma das razões é a desatenção aos pequenos sinais que Deus se serve para chamar. Os jovens estão cheios de muitas coisas e não tem tempo para escutar e estar atentos a esses pormenores da vida.

Meus amigos, a “bola de futebol” foi o principio, foi o sinal que Deus se serviu porque ele sabia que eu gostava e gosto muito de futebol. E aqui deixo o desafio aos mais novos: vale a pena ser padre mas para isso: “estar atentos aos sinais que Deus nos dá”.

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