CARLA GUIMARÃES NEGA ACUSAÇÃO DE TER SIDO CONTRATADA COMO MOEDA DE TROCA

Confrontada com as acusações de funcionárias ex-funcionárias sobre maus tratos de que seriam alvo na instituição, Elisabete Machado negou e afirmou que se trata de um processo político que remonta ao despedimento de Carla Guimarães.

Para a presidente da Casa do Povo de Creixomil, “trata-se de um processo político com origem em Rui Barreira e Carla Guimarães. Elisabete Machado afirmou que Carla Guimarães teria sido contratada como contrapartida a um financiamento que o então presidente da Casa do Povo de Creixomil, Armandino Lopes, conseguiria junto do seu correligionário, Bagão Félix, que naquela altura era ministro segurança social, no governo liderado por Durão Barroso. Carla Guimarães é esposa de Rui Barreira, líder do CDS de Guimarães, embora naquela altura fosse apenas namorada. Rui Barreira era na altura director adjunto da segurança social. Armandino Lopes é também um homem ligado ao CDS, mas em Felgueiras.

Armandino Lopes confirma o financiamento, de que fale com manifesto orgulho. Confirma a influência que teve junto do “amigo Bagão Félix” e que permitiu que a instituição arrancasse com as actividades de apoio à infância. Naquele momento foram apenas actividades de ocupação de tempos livres. O antigo presidente nega de forma categórica as acusações da sua anterior tesoureira e agora presidente, Elisabete Machado, relativamente à contratação de Carla Guimarães. “Por um lado eu mal conhecia o Rui Barreira, tinha um conhecimento superficial por sermos ambos do CDS, por outro, a Carla nem a conhecia, nem sei se sabia que havia entre ela e o Rui Barreira uma relação”.

Carla Guimarães também nega que tenha sido colocada a pedido e afirma que apresentou o seu currículo e que foi a uma entrevista, “na qual estavam presentes a Elisabete, a Perpétua e o Armandino”. Tal como Carla Guimarães, Armandino Lopes afirma que houve um processo de selecção e que existem actas desse processo. “A Carla era a melhor das candidatas que se apresentaram a concurso, tão simples como isso”, resume Armandino Lopes. O ex-presidente afirma que a vontade de Elisabete Machado teria sido colocar a sua irmã, “que tinha acabado de se licenciar”, porém, “eu não compactuei com isso e exigi que houvesse um processo de selecção”, acrescenta Armandino Lopes.

Segundo Carla Guimarães, houve anos de boa convivência na instituição, até que em 2011, depois de um longo processo de rotura o seu relacionamento com a instituição acabou de forma conflituosa. Pelo meio a Casa do Povo deixou de ser apenas um ATL. O programa PARES permitiu que a instituição crescesse e passasse a ter também apoio à terceira idade, creche e pré-escolar. Os quadros da instituição tiveram que crescer e segundo Carla Guimarães, “a vontade de empregar familiares continuou a prevalecer sobre os critérios curriculares e de qualidade”. “ Na altura em que entrou a educadora que é agora directora pedagógica, Sónia Alves, a Elisabete Machado fez tudo para colocar a prima, mas na altura ainda não tinha o poder absoluto”, relata Carla Guimarães.

Para a antiga técnica da Casa do Povo de Creixomil aquilo de que se queixam agora as funcionárias não é estranho. “Foi semelhante ao que se passou comigo. Um processo de desgaste progressivo para me levar a sair por iniciativa própria”, diz Carla Guimarães, visivelmente emocionada, apesar de terem passado seis anos sobre o caso. “Na altura as coisas eram combinadas entre a Elisária, a Elisabete e a Filipa, muitas vezes fora da instituição, Quando chegavam a mim eram factos consumados”, queixa-se Carla. Filipa Machado é irmã de Elisabete Machado, que entretanto tinha entrado na instituição e que ocupava o cargo de coordenadora da parte de apoio à terceira idade. Elisária Mendes é cunhada de Filipa e ocupa um lugar, que entretanto foi criado, de directora geral.

Relativamente à acusação de que Carla Guimarães não teria habilitações para o exercício da função de directora técnica, a segurança social, em maio de 2011, pronunciou-se relativamente a uma tentativa de alteração da direcção técnica para  Elisária Mendes, dizendo: “a direcção técnica deverá ser  assumida por elementos com maior disponibilidade para o desempenho deste cargo, o que não se coaduna com a colaboradora proposta (por esta ser responsável pela área da qualidade)”. No mesmo documento a segurança social lembra que Carla Guimarães também não poderia exercer a função por ser licenciada em educação, mas não ser educadora de infância. A segurança social diz no documento que Carla Guimarães poderia, como até ali, exercer funções de DT, com excepção do pré-escolar. Elisária Mendes tem como formação de base Relações Internacionais, tendo posteriormente frequentado outros cursos, nomeadamente psicologia.

A obra da construção das instalações da Casa do Povo de Creixomil, através de um financiamento pelo programa PARES, só foi possível concluir com um aval pessoal, no valor de 800 mil euros, pelos membros da direcção Fernando Soares, Elisabete Machado e Rodrigo Roque. Uma das acusações recorrentes entre funcionárias e ex-funcionárias é que a instituição faz pagamentos a dinheiro, nomeadamente do trabalho ao fim-de-semana, e que mantém durante longos meses (por vezes anos) funcionárias sem qualquer vínculo à instituição e a receber a dinheiro. Uma das funcionárias afirma que familiares idosos de membros da direcção eram inscritos como utentes dos serviços, apenas para cobrar o apoio junto da segurança social.

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