CASTRO SABROSO – UMA POVOAÇÃO DO PASSADO NUMA ALDEIA DO PRESENTE

por Francisco Gonçalves

Presidente da Junta da União de Freguesias de Sande de São Lourenço e Balazar

Castro Sabroso ou Citânia do Sabroso, Monumento Nacional, (Decreto de 16 de Junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 do mesmo mês).
Descrição é um povoado histórico fortificado, que fica situado numa colina de 278 metros de altura, chamada Couto de Sabroso em São Lourenço de Sande, com uma linha de muralha em talude, que ainda hoje se encontra admiravelmente conservada, que delimita uma área de 180 metros de largura por 100 metros de comprimento.

Não se sabe a data exata de construção dos edifícios, mas sabe-se que foi entre 800 e 300 aC.  Esta povoação primitiva é muito mais pequena que a famosa Citânia de Briteiros mas encontra-se no mesmo, ou até mais acima, no que diz respeito à importância do contributo para o estudo das nossas origens. No Castro Sabroso encontram-se a descoberto cerca de 35 casas redondas e apenas 3 de vestígio rectangular, sendo que o tipo geral destes edifícios é o mesmo dos presentes na Citânia de Briteiros. Uma grande diferença entre estas duas ruínas pré-históricas é a falta de arruamentos bem marcados no Castro Sabroso, ao contrário da Citânia de Briteiros. O aspeto mais típico do Castro Sabroso é a sua muralha já referida, a muralha era usada como protecção e ao mesmo tempo como sustentação das terras do planalto.

Após vários indicíos, seria natural pensar numa ligação romana ao Castro Sabroso, mas devido à falta de vestígios, não se pode assegurar a romanização do lugar. Esta escassez de indícios levou à conclusão que a fundação do castro seria anterior à da Citânia, muito provavelmente tendo sido abandonada antes da chegada das Romanos à Galécia (um território que corresponde aproximadamente ao da moderna região do norte de Portugal e da Galiza). Todavia, não se pode simplesmente negar a contemporaneidade do castro.

As intervenções por parte da Sociedade Martins Sarmento têm sido muito importantes para a recuperação, conservação e limpeza do Castro, e atualmente a prevenção contra a praga infestação por mimosas. Aqui ficam algumas das intervenções realizadas.

Intervenções realizadas

1878 – Primeiras explorações arqueológicas de Martins Sarmento;

1958 – Escavações arqueológicas dirigidas por C. Hawkes;

1974 – Execução de trabalhos diversos de conservação e limpeza;

1975 – Execução de trabalhos diversos de conservação e limpeza;

1977 – Execução de trabalhos diversos de conservação e limpeza;

1981 – Escavações arqueológicas da responsabilidade de Teresa Soeiro, Rui Centeno e Armando Coelho da Universidade do Porto.

 

Atualmente, todos os trabalhos de recuperação, limpeza e conservação são realizados por uma parceria entre a Junta de Freguesia de São Lourenço de Sande, a Sociedade Martins Sarmento e a Universidade do Minho. Neste ano de 2017, no orçamento participativo de Guimarães, foi proposta a reabilitação do Castro de Sabroso.

Em suma, claro que esta estação arqueológica não oferece uma majestosa grandeza das cidades monumentais tais como, Tróia, Roma etc. Mas, representa o testemunho de uma remota ascendência dos Portugueses de hoje, portanto, deverá ser respeitada e conservada.

 

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