CIDADES INTELIGENTES (SMART CITIES)

por MARIA DO CÉU MARTINS
Economista

Soube-se, há dias, que Guimarães lidera um consórcio, que inclui seis outras cidades europeias para formalizar candidatura ao programa comunitário “dream”.

Retirando-se o efeito “eleições autárquicas”, a bondade da iniciativa revela-se em várias dimensões.

Primeiro porque é o desenlace natural de algumas sessões de trabalho realizadas nos últimos dois anos o que, por si só, significa aproveitamento de recursos. Segundo, porque cumpre (ou caminha nesse sentido), desde logo, uma das 10 condições para a existência de uma cidade inteligente – a conetividade internacional.

De acordo com a união Europeia, Cidades Inteligentes são sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para catalisar o desenvolvimento económico e a melhoria da sua qualidade de vida.

Os fluxos de interação serão considerados inteligentes se fizerem uso estratégico das infraestrutura e serviços e de informação e comunicação, com planeamento e gestão urbana para dar resposta às necessidades sociais e económicas da sociedade.

Na prática, um sistema de comunicação em Cidade Inteligente pode, por exemplo, usar a rede dos nossos telemóveis pessoais para fazer a gestão do trânsito – em tempo real e sem deslocar agentes para o local – reprogramando semáforos ou sugerindo percursos alternativos. Pode detetar e reparar avarias à distância e com isso garantir eficiência.

Percebendo-se que uma “Smart Citie” terá sempre como suporte um sistema baseado em Novas Tecnologias de Comunicação, “digital” não pode significar necessariamente “inteligente”.

Ter rede de internet sem fios numa praça pública ou mupis interativos nas paragens dos autocarros não pode ser considerado “sistema inteligente”,  pelo menos enquanto cada um funcionar por si só. Apenas quando ocorre uma conversa entre várias dessas iniciativas é que se pode falar do surgimento de um ecossistema inteligente.

Para Guimarães, a oportunidade da candidatura é, sobretudo, suportada na orientação estratégica dos investimentos no sentido da “capital Verde”. A mobilidade e o respeito pelo meio ambiente é outro dos pilares da Smart Citie, concretizada aqui em investimentos como a anunciada ecovia ou na introdução de leds na iluminação pública.

No entanto, deveremos ter presente que no topo da listagem dos parâmetros para Smart Citie temos o tipo de governação local e a atitude da administração pública. E no outro vértice a coesão social e o capital humano.

Assim, garantir que alcançamos um estatuto de Smart Citie será um desafio ganho, só e apenas, quando as novas tecnologias estiverem ao serviço da conectividade humana em todas as dimensões da sua realização humana.

Nunca fará sentido termos estatuto de “inteligente” se este se restringir ao centro da cidade. Nem tão pouco ao núcleo estrito da cidade. O smart citie deverá incluir a aproximação da população que integra as 68 freguesias, resolvendo com apoio do “virtual” aquilo que o “real” nunca conseguiu – superar os “quelhos” que tornam a distância tempo muito superior à distância – espaço. É isso a coesão económica e social.  

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