COZINHA E PASTELARIA: UM CURSO SEM DIFICULDADES DE EMPREGO

Em Guimarães, na Escola Secundária Martins Sarmento, há um curso cujos alunos não têm dificuldade em encontrar emprego no final do curso. Há mais procura no mercado do que que o curso de Técnico de Cozinha e Pastelaria consegue satisfazer.

Rosário Martins, Luís Costa e Samuel Lemos, a responsável pelo curso, o chefe formador e o ex-aluno

Rosário Martins, a professora responsável pelo curso, afirma que “os alunos não têm dificuldade em encontrar emprego, é frequente os locais de estágio já ficarem com eles”. Samuel Lemos é um caso raro de um aluno que prosseguiu estudos superiores. “A facilidade de arranjar emprego é tão grande que a maior parte nem pensa nisso”, afirma. Por outro lado o chefe Luís Costa, formador na área de cozinha e pastelaria, afirma que “muitos destes alunos só vêm para o curso para terminar o 12º ano, porque pensam que é mais fácil, depois acabam por ver que é duro”. O chefe refere-se aos horários de trabalho, nomeadamente aos fins-de-semana e à noite.

A exigência do trabalho explica que, num curso em que a procura supera a oferta, muitos alunos não sigam para a universidade e outros nem sequer venham a exercer profissionalmente na área do turismo. “É preciso gostar disto”, desabafa o chefe Luís Costa. Samuel está no Instituto Politécnico de Viana do Castelo mas sabe que podia estar a trabalhar, inclusivamente em alguns dos melhores restaurantes nacionais. Os alunos do curso de Cozinha e Pastelaria da Martins Sarmento estão bem cotados, e têm saído para restaurantes do grupo Avilez, hotéis do grupo Pestana e do grupo Mélia, entre outros. Enquanto decorre a conversa Samuel e o chefe falam com naturalidade de ex-alunos que estão em Valência, Londres, Lisboa, Suiça e outro que tem uma proposta para ir para Bali.

Na cozinha pedagógica são os alunos colocam em prática aquilo que aprendem desde o primeiro ano do curso

Relativamente ao Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, que se vai instalar em Guimarães com uma Escola de Turismo, a expectativa dos alunos não é muito elevada. Numa turma de mais de vinte alunos, quando se pergunta quem quer prosseguir para a universidade, só há quatro braços no ar, sendo que um deles quer ir para desporto. “Talvez a instalação desta escola superior aqui em Guimarães mude um pouco o cenário. Ir estudar para fora tem custos muito elevados”, pondera Rosário Martins reconhecendo que no futuro talvez possam haver mais alunos a seguir para o ensino superior. “ No mercado o importante é ter horas de cozinha e, por isso, este curso é tão valorizado, tem à volta de 700 horas de formação em contexto de trabalho”, afirma o chefe Luís Costa.

Para ministrar este curso a escola, além dos protocolos com empresas na área da hotelaria e da restauração, tem uma cozinha pedagógica, onde decorrem aulas práticas desde o primeiro ano do curso. Os alunos do 12º ano, finalistas do curso, não são muito desembaraçados quando se trata de falar com o jornalista sobre o curso, porém, movem-se com total à vontade na cozinha. O chefe Armado Silva não precisa de dar muitas instruções para colocar Hugo Abreu e Rui Assunção em acção. Em poucos minutos, numa peça a quatro mãos, bem ensaiada, um bolo começa a tomar forma. O chefe, professor neste caso, reconhece que não teria nenhum problema em empregar um destes alunos, que na sua opinião saem deste curso “muito bem apetrechados para trabalhar”.

Os alunos que actualmente prosseguem para o ensino superior, vão para Viana do Castelo ou para o Porto, a Cordon Blue, em Madrid, ou em Paris, é uma referência, mas é apenas uma miragem para estes alunos, que este ano foram em visita de estudo a esta escola reconhecida mundialmente. Para Rosário Martins a perspectiva é que, com uma instituição de ensino superior na cidade, mais alunos optem pelo ensino universitário.

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