DANIEL SALAZAR:”AS PRIORIDADES SÃO O CENTRO DE DIA E A CRECHE/INFANTÁRIO”

Daniel Salazar já estava de malas feitas para a Festa do Avante quando se encontrou com o Mais Guimarães. Começou por dizer que a CDU não queria envolver-se na polémica que envolve a transferência do actual presidente do PSD para o PS. O candidato da CDU aposta numa postura mais virada para os problemas concretos dos pontences que para para a intriga politica. Antes mesmo de terem começado as perguntas já Daniel Salazar falava do berçário que faz falta e do Centro de Dia que pode ser melhorado. No final acabou por ser mais polémico do que prometia no início, quando deixou acusações de populismo ao candidato do PS.

Ponte tem os serviços muito dispersos. Isso é um problema?

Não. Na minha perspetiva Ponte tem vários centros. Tem o centro cívico que é o Largo da Igreja, tem o centro populacional, junto à estrada nacional. É natural que o comércio e os serviços se tentem aproximar do local onde está a população. O centro cívico também não tem espaço físico para muito mais.

Ponte é muito marcada pelo atravessamento pela EN 101. Como é que o repensar desta via pode melhorar a qualidade de vida dos habitantes de Ponte?

Sem dúvida que o refazer da EN 101 é fundamental. O construir de passeios, eventualmente de uma ciclovia. A construção de uma rotunda na entrada para o parque industrial, que é uma luta antiga da CDU. Por outro lado o facto de Ponte ser atravessada por esta via também pode ter sido a razão do seu crescimento. As empresas instalam-se aqui devido à rapidez com que conseguem escoar os seus produtos e chegar a centros como Guimarães e Braga.

As Taipas atraem as pessoas de Ponte?

Taipas tem uma série de serviços que Ponte não oferece. As Juntas têm uma função de promoção da fixação da população, mas não podem fixar os bancos, por exemplos. A Junta tem que ter uma ação na promoção da fixação de jovens. Relativamente à população mais idosa, temos que perceber que os nossos parques de lazer não têm infraestruturas. As pessoas naturalmente vão para onde encontram esses apoios. Não há casas de banho, não há pontos de água, não há um campo para jogar petanca. Relativamente à fuga de população jovem tem que ver com a falta de infraestruturas de ensino. Se à jovens que tiveram que sair da Vila, na sua juventude, para prosseguir estudos fora, se esses jovens que hoje têm filhos continuam a não encontrar na Vila um berçário ou uma creche, naturalmente vão procurar fora e, com isto, a ligação à terra vai-se perdendo. Agora temos EB 2,3, fica-se aqui até ao nono ano, mas no passado um pouco mais distante, após o quarto ano saia-se para prosseguir estudos nas Taipas.

Como é que vê a relação da Vila com o rio?

Quando eu era pequeno eram centenas de pessoas que usufruíam do rio, foi ali que eu aprendi a nadar. Hoje já não se vê ninguém, mas foi o rio que afastou as pessoas. O rio começou a vir cada vez mais poluído. O rio poderia ser um elemento central na fixação de população e no amor que as pessoas têm à terra.

Quando eu era pequeno eram centenas de pessoas que usufruíam do rio, foi ali que eu aprendi a nadar.

Como é que a Junta pode contribuir para essa relação com o rio melhorar?

Fiscalização. No dia 11 de fevereiro deste ano, andava eu a passear no parque de lazer de Ponte, quando no meio do parque rebentou uma conduta de saneamento, um pouco mais à frente rebentaram mais duas condutas. Quando tentei informar a GNR, depois de ter estado imenso tempo em espera e de finalmente ser atendido, à terceira tentativa, disseram-me que só podiam lá passar na semana seguinte. Uma das condutas esteve cinco dias a verter para o rio, outra esteve três meses a verter para o rio. Se quem de direito não toma a responsabilidade de fiscalizar e autuar, isto não pode melhorar. Há um ribeiro com quinhentos metros que desagua no Ave e chega lá completamente poluído. Tem que se identificar quem é que está a poluir. Admitimos que as pessoas podem estar a descarregar para o ribeiro por falta de soluções por parte da Vimágua, mas se for esse o caso, tem que se identificar os problemas e resolvê-los. É óbvio que as descargas industriais têm um papel muito importante na poluição do rio, mas estes problemas também têm que ser tratados. Numa recente iniciativa da CDU para mostrar os focos de poluição do rio, populares disseram-nos que, mesmo a Vimágua, ainda hoje, faz algumas descargas diretas para o rio.

A criação do lar é necessária para Ponte?

É preciso, mas temos que ser realistas, é um investimento muito elevado e provavelmente não vai surgir de imediato. Temos que dotar o centro de dia que já existe, e funciona muito bem, com mais gente, com mais meios para poder trabalhar num horário mais alargado e dar resposta desde já a esta população.

Temos que dotar o centro de dia que já existe, e funciona muito bem, com mais gente, com mais meios para poder trabalhar num horário mais alargado e dar resposta desde já a esta população

Relativamente à infância qual são as ideias da CDU?

A grande preocupação da CDU é a criação da creche e do berçário. A antiga escola EB 1 Jardim, pode ser reabilitada e servir este propósito. O ATL poderia ser transferido para este local e as famílias passariam a ter resposta para as crianças em idade pré-escolar.

Ponte tem dois importantes polos industriais para os quais a autoestrada é fundamental. Como é que vê os acessos da Vila à autoestrada?

A variante que liga Fermentões a Silvares poderia ter ficado com uma ligação direta ao parque industrial. A melhor entrada para o parque industrial continua a ser a EN 101. A via dedicada ao Avepark terá que ter uma ligação à rotunda, que a CDU defende há muito tempo, na EN 101, e essa será a ligação do parque industrial à autoestrada. Na falta de outra ligação melhor esta é solução que agora podemos imaginar. Há outro polo industrial um pouco mais acima, ao lado do qual a via dedicada do Avepark também passa; porque não fazer, também ai, um nó de acesso?

A variante que liga Fermentões a Silvares poderia ter ficado com uma ligação direta ao parque industrial

Como é que vê o mandato que agora termina?

Embora o eleito pela CDU em Ponte tenha sido o António Leite, eu acompanhei todo o mandato e estou à vontade para falar. Foram sendo feitas algumas obras, principalmente as de “encher os olhos”, nomeadamente: Ponte de Campelos, Centro Cívico, alargamento do cemitério. Tudo isto são obras que o anterior executivo deixou em andamento, por exemplo, o cemitério só foi alargado porque antes o terreno tinha sido comprado. Muito do que foi feito nas redes sociais parece enorme. Pavimentar uma rua não é uma obra de mandato, isso faz parte do normal funcionamento de uma junta. Foi feita alguma coisa em termos sociais, no reavivar das festas e das tradições, mas não da melhor forma. A Junta não se deve sobrepor ao associativismo popular, a Junta deve apoiar, mas não chamar a si a responsabilidade de organizar, como foi feito em Ponte. Isto foi feito em Ponte como meio de autopromoção, para ganhar o direito a dizer “duas palavras no meio de uma multidão”. Isto é puro populismo. Esta situação vê-se, por exemplo, no caso de dirigentes associativos que, tendo visto o apoio da Junta às suas associações diminuir, mesmo assim veem publicamente apresentar o seu apoio ao candidato do PS. O Grupo Desportivo de Ponte viu o apoio da Junta diminuir de 1 500 euros para 825 euros no mandato que agora termina, ainda assim, o presidente do clube apoia publicamente quem tirou o apoio ao clube.

Quais são as propostas mais significativas da CDU para Ponte?

Fizemos um inquérito que estamos agora a terminar. O objectivo é conhecer mais de perto os anseios da população. No dia 9 de setembro a nossa proposta vai ser apresentada publicamente, embora os pontos mais importantes sejam o alargamento do funcionamento do Centro de Dia, a construção da creche infantário e transferência do ATL, zelar pelo ambiente, nomeadamente para fixar as pessoas, alargar a rede de saneamento a toda a vila. Melhorar a mobilidade, aumentando a rede de transportes públicos, melhorar as zonas para prática desportiva e a rotunda de acesso ao parque industrial. Relativamente às colectividades podemos prometer a recolocação dos apoios nos valores em que estavam antes de o Sérgio Castro Rocha os ter reduzido.

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