DESORIENTAÇÃO DUM LADO, AFIRMAÇÃO E ALTERNATIVA DO OUTRO.

por ANA AMÉLIA GUIMARÃES
Professora

Comecemos pela desorientação. Tem sido notícia a questão do barulho provocado pela remoção mecânica do lixo no centro histórico. Como se sabe os serviços de limpeza da autarquia de Guimarães durante os fins-de-semana e nas noites em que decorrem “eventos” irrompem, madrugada dentro, com os seus instrumentos ruidosos, os denominados “bufadores” (imaginem um cruzamento de um motor Zundap com um aspirador industrial). Esta opção descabida e incompreensível, de utilização de mecanismos ruidosos em zonas tão singulares como as do centro histórico, provoca uma situação de inabitabilidade aos moradores (cada vez menos) que habitam o centro e o salvam da dysneilândia turística, sujeitando-os a uma tortura suplementar ao ruído dos bares e dos seus utentes.

Estranha-se que uma autarquia que pretende ser mais verde que as outras opte por equipamentos mecânicos em detrimento de eléctricos, alternativos, mais silenciosos e menos poluentes.

Mas não é sobre a questão concreta da insalubridade sonora promovida pela autarquia que pretendo falar, mas sobre um «pormenor» que parece ter passado despercebido, mas relevante na demostração de um executivo desorientado e com oscilante liderança. Na última reunião de câmara, o vereador da CDU, Torcato Ribeiro, alertou para o problema em causa, uma vez que tinha sido abordado por vários moradores que lhe tinham manifestado sentidas queixas. O vereado do lixo e afins, de imediato e no seu tom característico, herdado da escola autoritária de António Magalhães, afirmou taxativo que não há solução, que é assim e é assim que tem de ser e que os equipamentos são o último grito em tecnologia de limpeza urbana. No final da reunião, no entanto e apesar discurso definitivo do seu vereador, o Sr. presidente da câmara, Domingos Bragança, disse aos jornalistas que o assunto tem que ser resolvido, que compreende os moradores, que assim não pode ser e que deve encontrar uma solução nem que tenha que se regressar ao uso das vassouras (uma postura louvável, portanto). Ora isto coloca uma questão que não é de somenos: afinal quem manda, quem decide? É que o vice diz: não há solução, e o presidente desautoriza-o passado instantes, dizendo temos de resolver isto nem que regressemos à vassoura. Afinal em que ficamos? Qual vai ser o comportamento da câmara? Seguir o vice e borrifar-se para os moradores ou vai seguir o presidente e resolver o problema? Muita desorientação em Santa Clara, como se vê. E como se vai vendo.

  1. Afirmação e alternativa. No dia 10 de Julho foi apresentado o mandatário da CDU em Guimarães. Trata-se de António Amaro das Neves, independente, professor, historiado (insigne em história local), ex-presidente da Sociedade Martins Sarmento e cidadão com uma participação cívica comprometida com os desígnios, desafios e problemas da cidade e do concelho. A opção pela CDU por Amaro das Neves, e a sua aceitação em dar a cara e o empenho à candidatura da CDU, demostra a consolidação e afirmação do projeto autárquico, desautorizando aqueles que repetem maldosamente que a CDU é sectária e pouco abrangente. A CDU é, aliás, o projecto autárquico mais rico em diversidade e liberdade democrática: o candidato à Câmara Municipal é militante do PCP, a candidata à Assembleia Municipal é da direção dos Partido Ecologista os Verdes (PEV) e o mandatário é um democrata reconhecido e independente.

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