DO QUOTIDIANO

por Mauro Fernandes

Técnico de Informática – Serviços de Comunicações Universidade do Minho

Membro do Senado Académico Universidade do Minho

Não se pretende que sejam feitas reflexões sobre quão vis são os ataques entre políticos em altura de eleições, na eternização do poder nas organizações locais, nas castas ou grupos que dominam os partidos, nas promíscuas relações familiares e cargos de poder nas instituições locais, nas empresas de dirigentes ou, de forma encapotada, dos familiares a prestarem serviço ou a vender às instituições locais em causa própria ou em convénio entre castas. Felizmente há outros exercícios interessantes que podemos fazer, sobretudo “ouvir” o que cada uma das fações tem para propor, quão realistas e exequíveis são as suas propostas, até que ponto a ideologia interfere com a decisão e decisões “reais”, enfim aspetos daquilo que vulgarmente intitulam de “Programa” eleitoral.

Uma pesquisa relativamente rápida permite-me aceder a cada um dos programas (ainda não existe um portal onde se concentrem os programas? Já fazia falta!). Bem, começa aqui a primeira dificuldade, como é possível apresentarmos uma candidatura à liderança de um “órgão executivo”, uma espécie de governo local, sem um programa de ação e propostas nas diferentes áreas de atuação? É compreensível, em algumas circunstâncias. Podemos entender que determinada força ou partido não tenha capacidade ou experiência, isto é, recursos humanos (políticos ou técnicos). Por outro lado, pode apenas haver um objetivo de fazer oposição, não precisando de ter uma visão nem atuação global. Passemos então à análise geral de propostas e programas das diferentes cores, com o intuito específico de procurar uma solução para um problema de Guimarães, na área da habitação. Aliás é um exercício interessante, no meu ponto de vista, obrigatório, primeiro identificar os problemas e depois pesquisar nas propostas, se há respostas. Com isto ganhamos tempo e eliminamos boa parte das megalómanas, desnecessárias, as que não entendemos a origem, ou mesmo por defeito de eleitor desinformado as mais estratégicas e de longo prazo (é um risco). Da pesquisa, apenas um partido aflora no seu programa como um problema e até propõe algumas medidas, ainda que muito genéricas. Apesar de não serem suficientemente objetivas, podem efetivamente atenuar. O problema é a falta de oferta de imóveis para habitação, o que faz do resquício de mercado existente um convite à especulação. Dito assim e se não analisarmos as suas implicações, não parece ser estrutural para o concelho, nem sequer percebemos que põe em causa práticas correntes e recorrentes de gestão, investimentos, decisões, eu diria que, em muitos casos, há precedências que não foram respeitadas.

Proponho por isso uma análise real de um exemplo do quotidiano.  Sabemos que a população do concelho de Guimarães está a decrescer e por consequência a envelhecer também, ao contrário de Braga que está a inverter esta tendência. É verdade que esta realidade afeta mais de 85% dos municípios do país, mas quantos são os que podem dizer que existe procura de habitação por parte dos jovens? Quantos são os que têm que lidar com um problema de alojar, a cada ano, milhares de estudantes da Universidade do Minho? As largas centenas de trabalhadores, docentes e investigadores que trabalham nesta Universidade há muitos anos e por cada nova admissão, vão residir para Braga. Alguns dos investimentos do Município em parceria com a Universidade do Minho em Guimarães (Campos de Couros, a Universidade das Nações Unidas, o Avepark, o Instituto de Ciência e Inovação para a Bio-Sustentabilidade, entre muitos outros) são promotores de um desenvolvimento local em inúmeras áreas. Para onde vão viver estes cientistas, investigadores, professores, técnicos e demais trabalhadores, que trariam um excelente estímulo à economia local?

Bem sei que, para alguns, a leitura pode a esta altura ser custosa, mas é em Braga que todos estes colegas vivem, fazem as suas compras e investimentos, de Guimarães levam apenas as viagens, o salário e a vontade de um dia poderem cá viver!

 

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