EM GUIMARÃES, O VERÃO É JAZZ

por CÉSAR MACHADO
Advogado

Previamente, uma declaração de interesses – presido à Direcção do Convívio, Associação Cultural e Recreativa. Pior, gosto muito da minha cidade. Estou, por isso, “implicado” na matéria deste texto. Tentarei ser objectivo.

Que Guimarães é uma cidade de cultura é uma evidência de que há testemunhos de gente autorizada, “com porta aberta para a rua”, desde há -pelo menos- uns bons setenta anos. É seguro, também, que nos últimos trinta, muita coisa progrediu para melhor, muito melhor. E avançou graças a uma conjugação feliz de circunstâncias e esforços que deram no que hoje temos – uma cidade e um concelho que apresenta uma agenda cultural, rica e mais diversa do que sucede com os municípios da nossa dimensão,  e mesmo com alguns com bem mais populosos.  Isto para falar só do lado mais visível. O outro, que se vê menos e é mais importante – o da formação, investigação, aprendizagem- é coisa de outro escrito. Mas também aí sucede o mesmo.

Em resultado de tudo isto, em muitas ocasiões a agenda da cultura da cidade e do concelho oferece-nos propostas que nos deixam a difícil tarefa de  rejeitar boas opções, como sucede sempre que se escolhe – implica rejeição.

Entra aqui o Guimarães O Verão é Jazz, um festival que o Convívio programa e organiza com financiamento municipal. Outras coisas boas passarão em simultâneo mas permitam-me recordar que este ano o festival torna ser muito bom, decorre  entre 1 e 12 de Julho e inclui  parcerias com o Cineclube de Guimarães, a Muralha, Associação para a Defesa do Património e o Museu Alberto Sampaio. Um festival que pretende ser uma festa do jazz, com espectáculos a decorrer, em regra, no Largo da Misericórdia, em frente à sede do Convívio, em campo aberto, totalmente gratuitos. Um festival pensado e com a vontade expressa de captar para esta música a atenção dos públicos habitualmente mais afastados dela, e não apenas das pessoas já conquistadas pelos sons do jazz, que sempre apreciariam as propostas em cartaz. Neste caso, o festival somará potos por cada pessoa que passa no Largo e é convocada pela música agradável que está sendo executado, fica a assistir, dizendo para si  “afinal isto é bom de ouvir, é bem interessante”, e fica,  e até regressa para outras noites, quando, de outro modo,  nunca compraria um bilhete para ir assistir a um espectáculo jazz numa sala de concertos. Este é um dos desígnios do festival.

Para isso contamos com muitos e bons músicos. O regresso de Manuel de Oliveira a um concerto de ar livre no Centro Histórico de Guimarães, o Quarteto de Ricardo Toscano, o piano solo de Marco Figueiredo com projecção de fotografias da Muralha, os sons do violino e harmónica com sonoridades invulgares nas homenagens a Toths Thiellemans e Stephane Grappelli, a Judy Blue Eyes Band, a recordar que é no blues que o jazz encontra a sua raiz mais próxima, a invocação dos cem anos de Ella Fitzgerald, , o Trio de Renato Dias no Terraço do Cineclube, a guitarra portuguesa como instrumento solista na música de jazz no Atlântida Guitar Trio, os nossos alunos e professores da Escola de Jazz do Convívio –a parte mais importante-, enfim, são tantos os motivos para vir partilhar connosco este festival que o melhor mesmo é ver o cartaz, num lugar perto de si, ou no Facebook do Convívio e…aparecer, juntar-se a um público cada vez mais numeroso que as nossas noites quentes bem recomendam. Venham que vai ser bom. Venham e Verão que É Jazz em Guimarães.

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