ENFERMEIROS DE GUIMARÃES AMEAÇAM PARALISAR SERVIÇOS

No total são 32 os enfermeiros do ACES do Alto Ave que estão envolvidos no Movimento Nacional pelo reconhecimento da Especialidade de Saúde Materna e Obstetrícia. Na realidade este movimento que nasceu nos hospitais, muito especificamente entre os Enfermeiros de Saúde Materna e Obstetrícia, alargou-se agora a outras especialidades, nomeadamente aos enfermeiros de reabilitação e aos cuidados de saúde primários (centros de saúde e unidades de saúde familiar).

[Direitos Reservados]

Reconhecendo a oportunidade deste protesto os enfermeiros do ACES do Alto Ave também se juntaram ao protesto. Segundo Susana Ferreira são seis enfermeiros de saúde materna e quatro de reabilitação, num total de 11 enfermeiros especialistas envolvidos com este protesto pelo reconhecimento das especialidades de enfermagem. Segundo a enfermeira, só em Guimarães, os enfermeiros de saúde materna e obstetrícia acompanham 100 grávidas, em preparação para o parto, em média por mês. “Estas são funções que só podem ser exercidas pelos enfermeiros especialistas, sob pena de se estar a incorrer num crime de usurpação de funções”, afirma Bruno Reis, para explicar que se os enfermeiros levarem até às últimas consequências esta luta, vai haver fortes consequências para as populações, que vão além do encerramento de serviços hospitalares.

Bruno Reis recorda que “esta é uma luta com mais de dez anos” e que a “agora há um risco real de ficarmos sem enfermeiros especialistas se o governo não entrar num processo negocial de forma séria”. Para o porta-voz dos Movimento dos Enfermeiros o que está em causa é o reconhecimento profissional. “Os enfermeiros pagam a formação como especialistas, ao contrário dos médicos que são pagos enquanto fazem o internato da especialidade, além disso, os médicos no final são integrados nos serviços com reconhecimento da especialidade e com o respetivo salário atualizado em função da formação, há aqui uma enorme desigualdade de tratamento. Só queremos, de uma vez por todas que reconheçam que as especialidades de enfermagem são necessárias”, reclama Bruno Reis.

” Um hospital como o de Guimarães, nestes 21 enfermeiros poupa o equivalente a 700 euros vezes 14 meses. A diferença de ordenado entre um enfermeiro generalista e um enfermeiro especialista”, Bruno Reis

Há enfermeiros a trabalhar à nove anos como especialistas e a serem pagos como no primeiro dia que entraram no sistema nacional de saúde como enfermeiros indiferenciados, acabados de se licenciarem. Estes enfermeiros até 2016 ganhavam menos de mil euros e só tiveram uma atualização para pouco mais de 1200 euros, quando, depois de uma luta de anos, foram finalmente reconhecidos como licenciados. De acordo com as contas feitas por Bruno Reis, o Hospital de Guimarães poupará mais de 200  mil euros por ano, por não pagar a estes 21 enfermeiros como especialistas.

Nesta matéria os representantes dos enfermeiros não são unânimes. O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses é de opinião que a situação se poderia resolver apenas com um suplemento salarial. Já o Sindicato dos Enfermeiros e o Sindicato dos Enfermeiros Independentes, tal como a Ordem dos Enfermeiros, querem, indo ao encontro das pretensões deste Movimento, o reconhecimento salarial mas também o reconhecimento profissional. A OE em comunicado é perentória: “os enfermeiros detentores do título de especialista emitido pela OE, contratados como enfermeiros de cuidados gerais, não estão obrigados a exercer essas competências específicas”.

0 Comentários

Envie uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

©2017 MAIS GUIMARÃES - Super8

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?