ESTAMOS PRONTOS

por CARLOS RIBEIRO

Diretor Executivo no Laboratório da Paisagem 

Incomoda-me esta ausência de notícias. Como se a maior de todas fosse, simplesmente, a ausência delas. Entretanto, só mesmo as que nos fazem vacilar entre o desespero e otimismo exacerbado aparecem escarrapachadas em “fontes” muitas vezes de “água não potável”, apressando-se em anúncios ou conclusões precipitadas. Fosse este um problema apenas da imprensa desportiva…

Seja como for, sinto a falta de cheiro, dos cânticos, dos gritos, dos suspiros, do pulsar da paixão. Nunca mais começa! Mesmo que o “vício” se vá curando com jogos de pré-época que, invariavelmente, me deixam alerta. Saio de todos eles com a amarga sensação de que estamos com um ritmo baixo, sem automatismos, sem fio de jogo, sem capacidade de darmos um bom espetáculo. Ou pelo saía. Até perceber, ano após ano, que significam zero naquilo que valeremos no campeonato.

Deixei, pois, de me preocupar com o defeso. Eu. Eu que não sou dirigente e por isso sem preocupação de construir um plantel que supere as nossas expetativas – sim, supere. Temos sempre esta vontade incontrolável de fazer muito mais do que aquilo que esperamos -, eu que não sou treinador e por isso responsável por colocar a equipa a fazer em campo aquilo que ambiciono, eu que não sou olheiro para encontrar talentos no mais recôndito dos campeonatos. No fundo, sou o da hierarquia, o que tem a vida mais facilitada. Sou adepto. O que invariavelmente vai franzir o sobrolho por desconhecer o jogador acabado de contratar ou o que, com a mesma propriedade, criticará o reforço que desiluda ou aplaudirá o que se destaque, balançando entre o “eu bem dizia que não era jogador”, ou o “eu vi logo que este era craque”. Bem mais fácil.

Em todo o caso, e por mais irracional que seja esta forma de lidar com esta paixão, uma coisa é certa, no mesmo sítio onde estivemos da última vez, estaremos na primeira da nova aventura. Na bancada. Gritando, vociferando, rindo ou se preciso até chorando, irremediavelmente apaixonados.

Por isso, que passem os dias. Os dias que nos separam de mais uma jornada. Longa, difícil, mas da qual já temos saudades. Aos que cá ficaram, apenas o desejo de que sejam o principal baluarte dos que entraram ou entrarão. Aos outros, o desejo de que cedo percebam o que somos, como somos e o que queremos. Ganhar sempre? Claro. Mas acima de tudo nunca perder por falta de comparência.

Venha a nova época, venham as próximas batalhas. Estamos prontos!

0 Comentários

Envie uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

©2017 MAIS GUIMARÃES - Super8

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?