Exposição vimaranense

por José da Silva Mendes

As enciclopédias definem a palavra “aniversário” como algo que se repete todos os anos.

Deriva do verbo latino nascere, que fixa a formula natalis, que se traduz por nascer. O natal é o ato de nascer.

As pessoas, as nações, os acontecimentos marcantes de um país ou de interesse para a Humanidade, costumam repetir-se por cada ano que passa. A esse ciclo existencial se chama aniversário.

Portugal, embora tenha passado por diversas fases para o reconhecimento pela Santa Sé, como pais livre e independente, teve um primeiro ato fundamental. A esse ato se chamou aquela «Primeira Tarde Portuguesa», que se viveu nos campos de S. Mamede, no dia 24 de junho de 1128. Ainda hoje se celebra em Creixomil, a festa da senhora da luz, baseada na crença de que foi Nossa Senhora que prolongou a luz do dia para a batalha se fizesse naquela data.

Independente de ter sido em 25 de julho de 1139, que Afonso Henriques se autoproclamou rei, ao vencer os cinco reis mouros, na batalha de Ourique; ou de ser em Zamora, em 1143 que o primo o reconheceu como tal; ou ser em 1179 que o papa consumou esse reconhecimento, através da Bula Manifestis Probatum, a verdade é que, se não tivesse ocorrido o 24 de junho de 1128, nenhuma das restantes ocorrências, teria a ver com o ato fundacional.

Durante muitos anos, outros feitos históricos foram pretexto para celebrar o «nascimento» de Portugal. Casos das batalhas de Ourique, de Aljubarrota, da promulgação da Bula Papal, da Tomada de Ceuta e, mais recentemente, já se pretendeu sobrepor o 1º Dezembro de 1640, dia da Restauração. Ora nenhuma desses feitos, por mais relevantes que tenham sido, tiveram o clic fundacional.

Mais próximo da revolução dos cravos comemorava-se o Dia da Raça, no dia 10 de junho por ser esse o dia que faleceu Camões. Mesmo sendo o maior épico que tivemos, graças ao seu imortal Poema, «Os lusíadas», quando Camões faleceu já Portugal existia há 457 anos. E se tivéssemos de homenagear um herói teria de ser Afonso Henriques, o gerador da portugalidade. Para quem prefira o 1º de dezembro, bastará saber que apenas se restaura aquilo que já existiu.

Após o 25 de abril as diferentes forças políticas, em Guimarães, tudo fizeram para encontrarem consenso em que o 24 de junho fosse não só feriado municipal, mas sim nacional para o que apenas bastaria a Assembleia da República deliberar esse desígnio histórico. Não seria preciso criar mais um feriado. Bastaria trocar o 10 de junho pelo 24 do mesmo mês. Tão simples como isso.

A autarquia sempre encontrou entendimento para convidar o Presidente da República e o governo, para virem à primeira capital histórica de Portugal, associar-se a esta data. Ganharíamos todos com essa alteração, ficaria acertado o passo com a Historiografia Portuguesa e evitaríamos que as futuras gerações ficassem sem resposta à pergunta: se Portugal nasceu naquela primeira tarde portuguesa, na batalha de S. Mamede, porque não se cantam, nesse dia, os parabéns a você?

Até aos fins do século XX houve sempre entusiasmo popular por esse encontro com a História. Vários deputados, de todos os quadrantes, Presidência da Republica, a Assembleia da República e os mass media, sistematicamente, eram assediados com cartas, com exposições, com abaixo assinados para que exercessem as suas influências no sentido de dar sentido ao Dia Um de Portugal.

Tudo em vão. A própria RTP, nomeadamente direção do programa «prós e contras», foi convidada para debater esse importante tema de interesse nacional. Sempre negaram esse direito.

A batalha de S. Mamede assinalou no dia 24 deste mês, 889 anos. É uma data curiosa e deveria ser um imperativo nacional de todos os portugueses, a partir das forças politicas, dos órgãos de Soberania, das comunidades locais, regionais e nacionais dar este passo em frente.

Trata-se de uma questão serena, graciosa e convergente. Não traz custos acrescidos, nem para os trabalhadores nem para os patrões. Não agrava a economia, não colide com a religião, nem introduz obstáculos fraturantes para a sociedade. Consiste, apenas e só, na troca, no mesmo mês, de um dia de semana por outro dia de outra semana.

O signatário entende que compete à Câmara Municipal liderar este processo para que o que deverá diligenciar junto das freguesias e com todas e com as forças vivas do concelho, de modo a obter o maior numero possível de assinaturas para que o parlamento se pronuncie sobre tão importante pretensão.

A causa é do maior interesse público, não se aparente polémico e, de uma vez por todas, os Vimaranenses têm de saber se podem contar com os políticos que tem ou se devem continuar na ilimitada incerteza de não mais se ver luz ao fundo do túnel.

A par deste importante problema existem outros de caráter histórico, como aquele que se prende com a residência em Guimarães da presidência da República.

O Porto já disponibilizou o Palácio da Bolsa para gabinete de trabalho do Presidente da República. Ora essa «hospitalidade» da capital do norte, a ser aceite, vem extinguir de morte, o estatuto da Zona Residencial que desde há anos muitas décadas cabe a Guimarães, no Paço dos Duques de Bragança.

Os Vimaranenses pretendem ver os seus políticos colocar na defesa intransigente destas duas importantes causas nacionais.

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