GRÁVIDAS DE GUIMARÃES ESTÃO A SER MANDADAS PARA BRAGA E FAMALICÃO

Ontem foi transferida uma grávida para Braga, com uma situação de pré-eclampsia. No sábado tinham sido transferidas outras quatro parturientes, duas para Famalicão e outras tantas para Braga.

Logo no primeiro dia do protesto dos enfermeiros especialistas em obstetrícia, foram transferidas três grávidas, por os serviços da maternidade do Hospital da Senhora da Oliveira não terem capacidade de resposta. Para Bruno Reis do Movimento dos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia (EESMO), “é criminoso estar a esconder que há grávidas que estão a ser transferidas e outras que estão a ser deslocadas para locais diferentes do seu hospital de referência”. Para o representante dos enfermeiros há uma ocultação deliberada per parte do Ministério da Saúde e dos Hospitais afetados, com a intenção, não só de manter a população tranquila, mas principalmente de fazerem correr o tempo a seu favor. Bruno Reis afirma que “pode estar eminente um problema muito sério e nessa altura vão querer culpar os enfermeiros, mas nós até fomos muito responsáveis, não fechamos tudo de uma vez, mas progressivamente mais maternidades vão aderindo ao protesto, em última análise se acontecer alguma coisa a responsabilidade é do ministro”.

O protesto dos enfermeiros já leva duas semanas e a força do movimento não tem diminuído, antes pelo contrário, têm-se juntado mais enfermeiros, fazendo com que alguns distritos já estejam com sérios problemas, tendo que mandar as parturientes para fora do distrito. Aveiro está nesta situação. Com a adesão anunciada dos Hospitais de Famalicão e Braga, a partir de 1 de agosto, também o distrito de Braga ficará sem soluções. A solução mais obvia nesta situação seriam as maternidades do Porto, onde o Hospital de São João também já não aceita grávidas vindas de fora e a situação no Hospital de Gaia também é complicada.

Por estas razões foi realizada, no dia 17, segunda-feira, uma reunião de extraordinária na ARS Norte para delinear um plano de contingência. Os enfermeiros, porém, estranham que para uma reunião que trata dum tema que lhes diz respeito não tenham sido convocadas as direções de enfermagem. Também na segunda-feira, a Ordem dos Enfermeiros visitou o Hospital de Guimarães para se inteirar das limitações do serviço de obstetrícia.

Segundo os representantes do Movimento EESMO o Hospital de Guimarães tem mantido a maternidade a funcionar “com graves lacunas que podem resultar em problemas para as mulheres e para os recém-nascidos”. Segundo estes representantes dos enfermeiros o Diagnóstico Pré-Natal esteve encerrado durante uma semana, e agora funciona com um enfermeiro generalista, quando a direção geral de saúde obriga a que o trabalho seja feito por um especialista. O hospital tem contornado esta situação internando as grávidas diretamente na sala de partos e usando a urgência como enfermarias, alertam os enfermeiros. Além disso os médicos, à cautela já divergem as grávidas para os outros hospitais,

Dos 33 enfermeiros do Hospital de Guimarães, só 12 são reconhecidos como especialistas (fazem parte das antigas carreiras). Destes 12, apenas sete fazem serviço noturno, sendo que alguns deles estão de férias no momento. Quer dizer que a maternidade terá no máximo seis enfermeiros para assegurar os turnos noturnos.

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