GUIMARÃES A MARCAR PASSO

por ANA AMÉLIA GUIMARÃES
Professora

Foram recentemente apresentadas as Bandeiras Azuis para o ano de 2017. O concelho de Guimarães, apesar de pretender ser Capital Europeia Verde, não tem nenhuma Bandeira Azul atribuída às suas pretensas praias fluviais, nem se conhece nenhum plano ou mobilização política nesse sentido.

A Bandeira Azul, como sabemos, é um símbolo de qualidade ambiental atribuído anualmente às praias, portos de recreio e marinas que se candidatam e que cumpram um conjunto de critérios. Os critérios do Programa Bandeira Azul estão divididos em 4 grupos: informação e educação ambiental; cumprimento de todas as normas e legislação sobre a qualidade das águas balneares; gestão ambiental e de equipamentos e segurança e serviços.

Assim sendo, podemos e devemos questionar o resultado dos investimentos municipais já realizados em trechos do rio Ave, designadamente nos parques de lazer de Ponte e Ronfe, praia Sete Moinhos, em Brito/Silvares, e, de certo modo, no das Taipas, para não elencar o eterno projeto de tornar a zona da ínsula (Pevidém, Ronfe) também numa praia fluvial. E a conclusão é a de que o esforço financeiro dos munícipes ficou aquém do desejado. Muito aquém. No caso das Taipas, por exemplo, onde além da zona ribeirinha do parque temos a chamada praia seca, praia muito popular e frequentada desde há muitos anos pela população, apesar do esforço financeiro – com afetação de avultados recursos – não ter permitido que a área esteja aberta ao público, porque há esgotos a céu aberto que contaminam as águas e há indústrias que a montante fazem descargas poluentes.

Há ainda, pois, muito caminho para andar, a começar na Câmara, através da fiscalização, no terreno, dos loteamentos que aprova, verificando se as fossas séticas, onde elas são indispensáveis, cumprem o aprovado e sem esquecer a Vimágua, fiscalizando, acompanhando e encaminhando os processos dos infratores dos loteamentos ou indústrias servidos pela rede pública municipal.

Há ainda muito caminho para andar, também, e, mais uma vez, porque a Câmara Municipal, que há décadas é dirigida pelo Partido Socialista, chega tarde e a más horas ao problema (como aconteceu com as ciclovias, com o não assumir, em tempo certo, alternativas de circulação de transportes públicos, por exemplo, e para nos focarmos apenas no que à Capital Verde diz respeito).

E chega tarde porque quer! Porque nunca assumiu com a vontade que mostrou noutras “causas” (a “terraplanagem” do Toural, a liquidação do antigo mercado municipal, a descaracterização e encurtamento do jardim da Alameda, por exemplo) a questão da despoluição do Ave e do aproveitamento das suas zonas mais propícias ao lazer e ao turismo. Prova disso está no facto de, há mais de uma década, a CDU, na Assembleia Municipal, ter colocado à votação a elaboração de uma carta de praias fluviais para o concelho. O PS votou contra (!!!) com o “poderoso” argumento de que tal não era preciso… Tratava-se, na altura, de lançar, através da carta das praias fluviais do concelho, as bases para a criação das mesmas. Seria, pois, um compromisso e um plano de ação. Fosse a votação de acordo com outra vontade e hoje a existência de praias fluviais com bandeira azul no nosso concelho seria, por certo, uma realidade. Há que mostrar quem de facto quer um desenvolvimento sustentável e quem anda a reboque das modas verdes de ocasião.

Aproveito este parágrafo final para felicitar o jornalista Rui Dias pela reportagem “Munícipes de Guimarães com água e saneamento mais caros que os vizinhos” (edição de 2/5/17) onde, após aturada e rigorosa investigação, nos revelou, com dados, gráficos comparativos e verdadeiro sentido informativo e cívico, aquilo de que já desconfiávamos: andamos, em Guimarães, a pagar mais pelo mesmo… Como diz na reportagem um comerciante de Serzedelo “pagamos a ETAR com o corpo e voltamos a pagá-la nas taxas”… Parabéns ao +Guimarães e ao jornalista.

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