Guimarães, um património bio-cultural

por Vitor Oliveira

Adjunto do Presidente Câmara Municipal de Guimarães

Falar de Manuel Magalhães é falar de uma pessoa que tive o privilégio de o conhecer bem nas suas duas grandes facetas da sua vida.

Assinala-se esta terça-feira, 18 de abril, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e a ocasião permitirá apresentar publicamente um roteiro dedicado ao património classificado do concelho, intitulado “Guimarães Cidade de Património”. É seguramente mais um contributo para situar e dar a conhecer, por escrito e para memória futura, a diversidade de imóveis de interesse cultural, bem como as suas diferentes categorias de classificação.
O lançamento deste exemplar antecede a comemoração do primeiro aniversário da Casa da Memória de Guimarães, inaugurada a 25 de Abril do ano passado. Um local que sintetiza a história de uma cidade que fundou um País e que tem um valioso património humano num concelho de tradições, costumes seculares e estórias que fazem a História das nossas gentes.
Hoje, assistimos à construção de uma cidade de criação contemporânea, onde se verifica uma contínua qualificação e robustecimento do seu tecido artístico e cultural, com uma programação cultural apelativa, intensa, com projeção nacional e internacional de Guimarães, consolidando-se a imagem de uma cidade-património.

Mas, hoje, estamos de novo unidos e mais comprometidos que nunca em torno de um novo desígnio – o da candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia 2020. Foi criada uma agenda que pretende afirmar Guimarães como território que defende e preserva de forma ativa, partilhada e responsável a sua biosfera. O envolvimento de todos é condição indispensável ao sucesso, não necessariamente da candidatura, mas das transformações substanciais que a sua construção e submissão implicam.
Dos mais rotineiros e simples gestos do quotidiano ao mais complexo e ambicioso investimento, Guimarães passará a integrar nos próximos anos o ainda restrito lote de territórios ambientalmente sustentáveis e responsáveis. Escolas, empresas, instituições sociais e culturais, Juntas de Freguesia, autarquias vizinhas, todos os Vimaranenses são chamados a participar e a assumir este compromisso.

É Guimarães, uma vez mais, na linha da frente e a dar o exemplo, e os Vimaranenses, uma vez mais, a assegurar que fazem ativa e efetivamente parte, implicando-se de forma empenhada e proactiva na sua concretização, onde todos constroem um território coeso e solidário, que investe nas pessoas e na sua qualidade de vida de forma integrada.
Definiu-se uma ambição, exigente e competitiva, envolvendo todas as pessoas e entidades capacitadas, entre as quais, a Universidade do Minho, um dos parceiros estratégicos da Câmara Municipal, sempre disponível e empenhado em dar o seu contributo para o bem comum de Guimarães.
As cidades e os territórios contemporâneos têm que ser espaços que vivam em harmonia com o ambiente. Logo, o maior investimento é o da envolvência das pessoas e, aqui, a comunidade escolar tem um papel fundamental na construção pedagógica e formatação ecológica de gerações vindouras. As cidades de futuro são as que se preocupam com a natureza, a tranquilidade, com a qualidade do seu espaço, com as pessoas, com o património natural.
É fundamental, pois, potenciar a ecologia e a paisagem. Também por essa razão está já a ser trabalhada a mancha verde da montanha da Penha, desde o Parque da Cidade, envolvendo a zona da Lapinha e a encosta de Mesão Frio. Falar, hoje, em manchas verdes nas zonas urbanas é incluir as hortas sociais, os jardins, os parques naturais, mas também as quintas de produção biológica ao redor de zonas tampão dos territórios urbanos, tendo em vista a valorização dos recursos naturais.
A construção da Ecovia e de novos percursos pedonais são (também) projetos em curso que vão contribuir para a alteração do paradigma. A progressiva substituição de veículos de consumo de combustíveis fósseis pelo carro elétrico, abastecido por energias renováveis, é hoje uma realidade.
No caminho para um território verde, outro objetivo central é aumentar a eficiência energética ao nível dos edifícios, públicos e privados, para que consumam a energia que o próprio imóvel produza. Neste âmbito, a Academia de Ginástica de Guimarães, a inaugurar em junho, será uma referência internacional. Toda a energia que consome é autoproduzida, não emite carbono e será mais um edifício vimaranense de referência que, doravante, será com toda a certeza referenciado como um modelo a replicar.

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