IDA E VOLTA A ANGRA DO HEROÍSMO, COM ANTONIETA DURÃO

VIAGENS À MINHA TERRA

ANTONIETA DURÃO

A rúbrica que o leva a conhecer o passado de figuras da cidade de Guimarães, mas com uma infância vivida em locais mais ou menos distantes. Histórias de vida e de terras que vale a pena descobrir.

IDA E VOLTA A ANGRA DO HEROÍSMO

Nascida em Angra do Heroísmo, numa cidade açoriana localizada na costa sul da ilha Terceira, nos Açores, em 1980, Antonieta Durão, ou “Nieta”, chegou a Guimarães com 19 anos e não mais saiu. O futuro passa pelo regresso à ilha, mas para já vai dividindo o tempo entre a família e a paixão profissional. Hoje, é diretora criativa e gestora de projetos de um negócio ligado à decoração de interiores.

Antonieta sublinha que a sua educação está interligada com o facto de vir de uma ilha, e como “o bom filho a casa torna”, a terceirense já tem o destino traçado: o regresso a Angra do Heroísmo.

Foi criada num “meio pequeno”, onde desde cedo se começa a conviver com toda a gente, resultado de estar rodeada de mar. Mas não acredita que essa circunstância faz com que os terceirenses se sintam “limitados”, muito pelo contrário. “Nós arranjávamos sempre que fazer”, frisa Antonieta.

Um testemunho disso mesmo é a panóplia de atividades concretizadas até à sua adolescência. Ballet, piano, amizades novas ou festas “quase” todo o ano, são só exemplos de algumas delas.

Uma “infância que devia ser proporcionada a todos”, sugere a açoriana, onde os mais novos andavam todos à “manada”, proporcionando momentos “marcantes”. Com ligações estreitas e especiais com a mãe e avó, a sua “segunda” mãe, Antonieta revela a transparência do mar quando se fala com ela.

Cresceu numa casa típica terceirense, em S. Carlos, com direito a jardim com baloiço, varandas, janelas com linhas retas, quadrangulares, uma bicicleta e, claro, uma “piscina” de água salgada.

Não é de estranhar que desde muito cedo aprendesse a nadar. Antonieta adorava tudo que a envolvia, usufruindo dos prazeres de andar na rua e de brincar com as crianças vizinhas. “O meu pai montava uma rede de vólei e nós jogávamos até ao anoitecer”, recorda.

UMA IRMÃ E MUITAS FESTAS

Antonieta foi filha única “contra a vontade” até aos nove anos, até que lhe nasceu a parceira de aventuras que a acompanhou até à sua partida para Guimarães. “Pedia muitas vezes para me darem uma irmã, mas eles davam-me sempre um animal. A minha irmã era a minha boneca”, explica.

Uma companhia que ganhou para as suas aventuras de mochilas às costas, atravessando o mar de navio. O destino eram as festas que duravam cerca de quatro meses, de junho a setembro, cruzando o triângulo central do arquipélago açoriano – Pico, S. Jorge e Faial. E aqui nasceu uma das suas peripécias.

Durante uma das suas “visitas” pelas ilhas, Antonieta conta que não abundava de dinheiro, pois só levava consigo o que os pais lhe davam, até que se encontrou em plena ilha do Pico sem fundos. Problema número um: só havia uma caixa de multibanco em toda a ilha; problema número dois: não estava a funcionar. Quando se viu sem dinheiro, Antonieta viu-se obrigada a ligar para os seus pais, pedindo mais dinheiro, através de uma pessoa local que conhecia a sua mãe. Problema número três: distância entre ilhas. Tendo em conta o tempo que demorava a chegar de uma ilha a outra, Antonieta teve que aceitar a comida da colega da sua mãe, sem claro, livrar-se de um raspanete.

“ACHO GUIMARÃES UMA CIDADE MUITO BONITA. O FACTO DE SER PATRIMÓNIO, TAL COMO A MINHA TERRA NATAL, É ALGO QUE ME AGRADA”

Envolvida num ambiente de festa da Terceira, a açoriana recorda os tempos das festas Sanjoaninas, uma das maiores festas dos Açores, em particular no ano que foi convidada para Dama no desfile de abertura. Corria o ano de 1996, e a pequena Antonieta viu se “obrigada” a entrar num território que “não fazia muito” o seu género. Nervosa, a terceirense pediu ao pai para a acompanhar durante todo desfile, num momento em que ficou orgulhosa por fazer parte.

CHEGADA A GUIMARÃES

Veio estudar arquitetura na Universidade do Minho, embora o primeiro destino fosse a FAUP (Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto), mas assim a sorte não quis. Ficou a fazer melhoria de notas enquanto aproveitava para trabalhar num gabinete de arquitetura, para ganhar “independência e dinheiro para as férias e para a carta de condução.

“Desde pequena queria arquitetura, não sou de desistir…”, salienta. Vir para Guimarães, um espaço que não conhecia, deu-lhe a “força” para crescer como “pessoa”. “Nos Açores, nós conhecemo-nos todos e é mais fácil para nos integrarmos. Aqui era só mais um indivíduo”, lembra Antonieta.

Pelo meio, conheceu o marido, que estudava em Engenharia Mecânica, e decidiu comprar casa em Guimarães, uma cidade que se “identificava”. “Acho Guimarães uma cidade muito bonita. O facto de ser património, tal como a minha terra, é algo que me agrada. Adoro o cuidado com a cidade e o bairrismo, à semelhança do que acontece na Terceira”.

Apesar de estar num local de eleição, Antonieta admite que “não faz vida social” na cidade-berço, estando vinculada a Guimarães pelo projeto que lançou com o marido, ligado ao têxtil e às raízes minhotas. “Descobri que poderia fazer peças de valor acrescentado, da reciclagem, reaproveitamento de desperdícios têxteis”, explica o seu ofício.

ANGRA DO HEROÍSMO – TERCEIRA 

AÇORES

Angra do Heroísmo é considerada Património Mundial pela UNESCO, desde 07 de dezembro de 1983, sendo uma das três capitais regionais dos Açores, juntamente com a Horta e Ponta Delgada.

Com pouco mais de trinta mil habitantes, este pedaço de sedução da ilha Terceira tem o privilégio de ser banhado pelo Oceano Atlântico. É ainda casa do Regimento de Guarnição n.º 1, uma das mais antigas unidades militares portuguesas.

Numa ilha que juntou a cultura de vários povos, onde o touro é o animal que impera e o espírito festivo está sempre presente, as “Touradas à corda” são sempre um acontecimento épico. Na terceira, habitualmente, são ultrapassadas as duas centenas de manifestações tauromáquicas por ano. “Um momento muito divertido”, refere Antonieta, que vale “sempre a pena” ver.

As Festas do Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade, são as mais populares do arquipélago e começam normalmente sete semanas depois da Páscoa. “São dez dias de pura festa e gastronomia da Terceira. A cidade fica preenchida, com muita gente de todo o mundo, especialmente do Canadá”, salienta a terceirense.

LOCAIS A VISITAR

De uma ilha tão rica em cultura é difícil distinguir alguns locais, mas ficam aqui as sugestões. O “Algar do Carvão” está situado num cone vulcânico, sensivelmente no meio da ilha Terceira, a norte da cidade de Angra do Heroísmo, sendo o único vulcão visitável no mundo, onde pode ainda assistir a concertos. O convite estende-se aos “Impérios do Espírito Santo na Ilha Terceira” – monumentos ricos em arquitetura – e ao Monte Brasil, Fortaleza de São João Baptista, oficialmente denominada como “Prédio Militar.

ONDE COMER

A gastronomia da Terceira foi beber a diferentes culturas que passaram pela ilha. Durante o período das Festas do Espírito Santo pode saborear a sopa típica que dá o nome às festividades. Caso procure um prato típico terceirense, pode aventurar-se no Cozido da Terceira ou na Alcatra da Ilha Terceira – um prato muito aromático, sendo considerado um “ex libris” da cozinha tradicional da ilha. Para sobremesa, a Terceira tem para si o famoso queijo ou, se preferir um doce digno da realeza, pode optar pelas Donas Amélias.

ONDE DORMIR

Três locais, três experiências diferentes. Uma aventura pelo “ALLuar Lodge” vai permitir experimentar uns bungalows com uma incrível vista para o mar. Deixe-se fascinar com o requinta da “Quinta do Malhinha”, uma propriedade do cavaleiro tauromáquico João Carlos Pamplona. Se não gosta de ficar parado, então o “Pico da Vigia” é o sítio ideal, um espaço que liga a natureza ao conforto. Pela sua localização, dá-lhe ainda a oportunidade de perceber como se desenvolve a agricultura na ilha.

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