IRMANDADE DA LAPINHA ACUSADA DE USO ILEGAL DE PESTICIDAS

O parque de estacionamento do Santuário da Lapinha, junto à zona de lazer, no sábado, dia 22, foi pulverizado com glifosato (Glyphogan), um herbicida usado para controlar ervas daninhas, a que um relatório da OMS, em 2015, atribui um elevado potencial cancerígeno. A aplicação foi testemunhada por um membro da Associação Vimaranense Ecologia.

Frascos de glycophan num local junto Às mesas de piquenique e a calda derramada sobre o muro [Foto: Hélder Pinto]

Na sequência da descoberta deste risco para a saúde humana várias medidas foram implementadas pelos governos da UE, entre os quais o português. A lei portuguesa não proíbe, ainda, por completo o uso deste pesticida, porém, impõem-lhe severas restrições. A lei enumera alguns locais públicos onde o produto não pode ser usado, como estabelecimentos de ensino, ou parques infantis, entre outros, e, senão menciona templos e igrejas, o facto é que começa por mencionar “locais de uso público em geral”, sem fazer nenhuma distinção entre se são de propriedade pública ou privada.

Contactada sobre este incidente a juíza da Irmandade da Lapinha, Fátima Carvalho Dias, afirmou que, “o produto que estava a ser usado não era um pesticida, mas sim água com sal”. A responsável acrescentou que, “o funcionário tem certificação para o uso de pesticidas e nós já contactamos as autoridades responsáveis, que nos disse que aquilo é um espaço privado, portanto, se nós quiséssemos poderíamos usar o pesticida”.

A lei menciona a pulverização como sendo especialmente perigosa [Foto: Hélder Pinto]

O membro da Associação Vimaranense Ecologia (AVE) que testemunhou a operação de pulverização refere que o funcionário estava a usar máscara e que o mesmo, no local, lhe confirmou que se tratava da aplicação de um pesticida. O local em causa é uma zona de estacionamento, contigua a uma zona onde existem mesas para piquenique. A lei menciona especificamente a aplicação pela via da pulverização como sendo de alto risco: “a pulverização aérea de pesticidas é suscetível de prejudicar significativamente a saúde humana e o ambiente, nomeadamente devido ao arrastamento da pulverização”.

A AVE alerta para os atentados à natureza serem uma prática recorrente na Irmandade da Lapinha que, em 2014, promoveu uma poda em várias árvores que levou à morte, entre outras, de um carvalho. Segundo a associação ambientalista, a avaliar pela grossura do tronco, a árvore seria centenária. A atual juíza da irmandade não se quis pronunciar sobre este assunto, reconhecendo que este é um problema que herdou da anterior administração da irmandade. Ainda assim reconheceu o problema dizendo: “não foi uma foram várias árvores, temos mesmo uma zona em que não temos sombra”.

Vários municípios portugueses, incluindo Guimarães, têm anunciado o progressivo abandono do uso deste herbicida. Movimentos de cidadãos em toda a Europa têm pugnado pela abolição do glifosato e recentemente surgiu uma Iniciativa de Cidadania Europeia, de mais de um milhão de assinaturas para que a Comissão Europeia tome uma posição sobre o assunto. O não cumprimento da lei em vigor prevê coimas que podem ir até aos 22 mil euros.

 

 

 

 

Finalmente, quanto à sua questão relativa à poda extrema de janeiro de 2014, esta também foi realizada por ordem da Irmandade. O Dr. Florentino Cardoso informou-nos então que a poda foi feita por um madeireiro da região, de forma gratuita, a troco da madeira que resultasse da poda. Não estranha que o serviço tenha sido feito com tanto zelo. Todas as árvores ficaram apenas com o tronco e pouco mais. Por coincidência ou não, uma das árvores mais antigas, um velho carvalho que, pela grossura do seu tronco, teria seguramente perto de 100 anos, morreu pouco tempo depois. A árvore morta ainda se encontra em pé, junto ao parque de estacionamento

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