JOÃO PEDRO VAZ

Nome completo

João Pedro Vaz

Nascimento

22 de agosto de 1974

Porto

Profissão

Diretor Artístico

Nasceu literalmente no fim do império português. A mãe, que estava em Angola a acompanhar o pai, a cumprir serviço militar como Alferes miliciano, trouxe-o no ventre. Acabou pr vir nascer ao Porto, apesar de ter sido concebido em África. “Nunca tive curiosidade de lá voltar, talvez se tivesse nascido lá…” O Porto acabou por ser apenas um ponto de passagem, a família materna tinha propriedades no Douro e foi para lá que rumaram. “Considero-me do Douro”, afirma o director artístico do Teatro Oficina.

Apesar de ter nascido no Porto cresceu no Douro

Em Santa Marta de Penaguião não era filho nem de grandes proprietários, nem de gente simples. “Eramos uma família com alguma vinha, sem sermos ricos”, afirma João Pedro Vaz. “No Douro ainda há uma grande rigidez social” e este – afirma o actor e encenador – talvez tenha sido a característica da região que mais o marcou.

Os pais eram licenciados, conheceram-se na faculdade quando ambos estudavam história. Todos os tios tiveram oportunidade de estudar, numa época, antes do 25 de abril, em que isto ainda não era óbvio para a maioria das famílias. Tudo indicava que o jovem João Pedro Vaz também faria uma licenciatura. Foi nessa condição que desaguou em Coimbra, com dezoito anos. O objectivo era estudar engenharia química (risos). A revelação é improvável.

Um ator que numa se tinha imaginado no palco

“Nunca me imaginei actor, nunca quis fazer isto até começar a fazer”, diz João Pedro Vaz. Aquilo com sempre se identificou desde muito cedo, foi com os livros. Em casa havia livros e o hábito da leitura evoluiu naturalmente para uma necessidade de escrever ele próprio. “Pensava que tinha que ter uma profissão que me garantisse o sustento e que depois escreveria nas horas vagas”, afirma desiludido. O projecto começou mesmo antes de estar em marcha. Logo no primeiro ano de engenharia “não me identificava com o curso”.

Começou a procurar outras coisas, “fui a vários sítios da Associação Académica de Coimbra, aquilo tinha uma cena cultural muito rica”. Acabou teatro universitário mas ainda sem uma forte convicção de que era aquilo que queria fazer. Mas a partir daquele momento as coisa foram sucedendo e nunca mais parou. Paulo Castro, um encenador que trabalhava esporadicamente com o TEUC, convidou-o para o Teatro Experimental do Porto, “com contrato de trabalho por oito meses”. Nunca mais parou. Dali foi convidado para o São João, pelo encenador Ricardo Pais e acabou por ficar pelo Porto oito anos.

Foi o amor e não o trabalho que o trouxe para Guimarães

Chegou a Guimarães, vindo do Alto Minho, onde foi director artístico das Comédias do Minho – companhia em Paredes de Coura, cujo trabalho abrange Melgaço, Monção, Valença e Vila Nova de Cerveira, não pelo trabalho mas pelo amor a uma vimaranense, com quem está agora casado e de quem tem uma filha bebé. O convite para a direcção artística do Teatro Oficina só havia de chagar dois anos depois. “Foi importante este tempo para observar de fora durante dois anos”, afirma o agora, desde Janeiro, director artístico do Teatro Oficina. Em Guimarães, João Pedro Vaz reconhece a existência de um programa diferenciador em termos de programação cultural, e assume que o desafio é relacionar aquilo que se já se faz com o território.

Para quem imagina as pessoas ligadas às artes sempre um pouco místicas e principalmente aquelas que, ligadas ao teatro, falam do palco como um lugar onde acontece algo mágico. Esqueçam, essa imagem não serve para retractar João Pedro Vaz. A relação que tem com o teatro está impregnada da paixão pela palavra escrita. Dá muita importância à atribuição de significado pelo público ao que se produz no palco e à resinificação que é feita dos textos pela interpretação que lhes é dada. Fala do teatro como a “soma de todas as artes”, mas mais à frente descai-se e afirma que a “esmagadora maioria do trabalho no teatro assenta no texto”.

Casou já na faixa dos quarenta porque antes não tinha encontrado a pessoas certa. Sobre esta fase da sua vida afirma que “finalmente tudo se está a encaixar”.

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