LEIS LABORAIS SÃO FONTE DE PROBLEMAS NAS VINDIMAS

Cerca de 90 mil pessoas estiveram ou ainda estão envolvidas até final deste mês nas vindimas do vinho verde, cuja produção de 2017 deverá ser excelente. A grande maioria destas pessoas trabalha de forma ilegal. Embora sem se quererem identificar, por razões óbvias, vários responsáveis deste setor afirmaram ao Mais Guimarães que sem estudantes, desempregados e reformados a vindima seria impossível.

Nenhuma destas pessoas estaria disponível para trabalhar durante alguns dias se isso significasse perder os apoios sociais, ver agravados os impostos ou as propinas. Em algumas quintas da região de Guimarães a vindima é quase exclusivamente feita por reformados. “Além de não quererem coletar-se por questões de agravamento fiscal, de um rendimento já baixo, são pessoas de idade não sabem trabalhar com recibos verdes, nem sabem o que é um contrato de prestação de serviços. Se lhes falarmos nisso preferem não vir”, diz o responsável por uma quinta com várias grandes vinhas.

Os estudantes, nomeadamente os universitários, são outra importante fonte de mão de obra. “Os estudantes afirmam que só lhes interessa se não tiverem que passar recibos, de outra forma perdem as bolsas de apoio”, diz o mesmo responsável. Diana Freitas tem 19 anos, é o quarto ano que trabalha na vindima. “Recibo, não, se tivesse que passar recibos os meus pais nem me deixariam vir”, replica a jovem.

“O trabalho na vinha ao longo do ano é de baixa intensidade”, explica o feitor de uma quinta que comercializa marcas próprias e que também vende é sócia da Adega Cooperativa de Guimarães. “A maioria das ações que realizamos durante o ano não requerem muitas pessoas, são feitas num intervalo de tempo relativamente longo, por isso, não precisamos de muitas pessoas para as fazer”. Uma quinta com várias dezenas de hectares pode ter dois ou três profissionais a tempo inteiro, sem que isso represente um problema ao longo de todo o ano.

A vindima tem que ser feita num espaço de tempo muito curto, com a agravante de as datas em que se vai fazer só serem definitivamente decididas já muito perto do momento. Além disso há pequenos produtores, a maioria na Região do Vinho Verde, que fazem todo o tratamento da vinha sozinhos, mas que nesta altura precisam de ajuda. Perante esta situação, e na falta de soluções na lei, os produtores arriscam. Vão fazendo a vindima e mantendo um olho no horizonte. Nunca se sabe quando é que aparece na curva do caminho um fiscal da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes ou da Autoridade para as Condições de Trabalho. Se aparecerem as desculpas estão ensaiadas. “São familiares; vieram aqui dar uma ajuda em troca de lenha”, ou parte do repertório.

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