LIGAR AS PONTAS

por ANA AMÉLIA GUIMARÃES
Professora

Proponho ao leitor três pequenos textos. Reconheço que podem parecer assuntos distintos, cada um na sua gaveta. No entanto proponho que tente ligar as pontas, é que isto anda tudo ligado …

  1. Pelos jornais ficámos a saber que Cristina Azevedo, a antiga Presidente da Fundação Cidade de Guimarães (CEC2012), vai receber 43 mil euros de indemnização. A decisão é do Tribunal de Guimarães na conclusão do processo movido por Cristina Azevedo contra a Câmara Municipal, Direcção Geral do Tesouro e o Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliações Culturais.

Após ser apresentada, pelo então presidente da câmara, como a oitava maravilha e que só por si o sucesso da capital da cultura estava garantido, cedo Cristina Azevedo se viu envolvida numa difícil comunicação com “o meio envolvente”, num processo em que os bastidores da política (PS, local) ditaram o final da novela. Com o afastamento de Cristina Azevedo a CEC municipaliza-se. Neste processo, a oposição encontrava-se numa situação difícil: ou avançava numa justificada onda, dura, de oposição crítica, comprometendo o sucesso (que todos desejávamos) da capital da cultura, ou decidia-se por um entendimento tácito.

Era tempo de avançar. De avançar porque o caso Cristina Azevedo – que a autarquia alimentou e geriu –  esgotou a discussão e adiou o trabalho que era necessário fazer. Consensualizou-se, então, que as avaliações críticas viriam depois, o tempo urgia.  No entretanto outras leviandades aconteciam. Na chamada área do pensamento, por exemplo. Esta era a área que no projeto da CEC estava no centro e a partir da qual todas as outras áreas se estruturavam e irradiavam. Estava/esteve para ser comissariada pelo escritor Vargas Llosa, um “peso-pesado” à altura do que era a ousadia inicial do projeto CEC. Afinal não foi. Foi entregue ao novo presidente da Fundação Cidade de Guimarães numa incrível e fatal subalternização da área central do projeto. Foi a periferização do pensamento. Do que daqui resultou foi um esvaziamento no arrojo inicial do projeto, uma nivelação pela mediania e falta de sustentabilidade para outros futuros.

  1. No contexto do corte geral, o Apoio Directo do Estado às Artes sofreu um corte de 68% de 2009 até hoje, enveredando-se por um caminho de forte crescimento dos Apoios Indirectos (Acordos Tripartidos) que implicam uma participação financeira determinante dos municípios.

A municipalização do Apoio às Artes configura uma inaceitável desresponsabilização do Estado do seu papel de garante de uma política de Apoio às Artes em todo o território nacional, condição fundamental para a independência e liberdade criativa.

Com a exceção do PCP, desconheço qual a posição dos outros partidos políticos com representação na Assembleia Municipal.

É que uma política nacional de Apoio às Artes não pode depender de diferenças políticas locais nem das desiguais disponibilidades financeiras – estruturais e/ou conjunturais – existentes entre municípios.

 

  1. “Como se não fossem suficientes os 2.072 lugares de estacionamento geridos pela Vitrus, empresa da Câmara Municipal de Guimarães, que fiscaliza o estacionamento tanto nos cinco parques públicos cobertos _ arque da Plataforma das Artes, no estádio D. Afonso Henriques, no Mercado Municipal, no Centro Cultural de Vila Flor (neste o piso -1 está fechado por falta de procura (?)) e no Largo Condessa da Mumadona, como nas ruas dentro e fora do centro histórico.

Caso queiram saber a taxa real de ocupação dos 5 parques públicos terão que adivinhar, porque estes números não foram facultados, por exemplo, ao jornalista que escreveu um artigo sobre os parques de estacionamento geridos pela Câmara no Mais Guimarães de 14 de Março. Das ruas com parcómetros a taxa, segundo a Vitrus, vai de 10% ( sim, viram bem 10%) até 65%.

(…) Precisamos de pensar que o bem comum radica-se no bem individual que formula esse bem comum.”. in https://caldeiroa.blogspot.pt/

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