LITERATURA, VELHA AMIGA

por MARCELA MAIA
Técnica de relações internacionais na Universidade do Minho

Quem nunca deu por si a folhear páginas escritas de um livro, um jornal, uma revista ou até mesmo de um diário e por breves instantes se evadiu do tempo presente?
A Literatura, essa magia ancestral, tem o poder de entrar na mente de cada um de nós e moldar o nosso cérebro ao jeito de uma construção em plasticina. Provoca reflexão e responde às nossas inquietações – sendo certo que por vezes incorre no contrário e nos deixa ainda mais inquietos. Entra em contacto com a nossa história e conhece-nos melhor do que nós mesmos – quem nunca se identificou com alguma coisa que tenha lido ou escrito e pensou: “isto sou eu!”?
A Literatura é uma amiga interativa com a qual crescemos, refletimos, aprendemos a criticar e nos emocionamos.
A era digital tornou a Literatura mais mecânica, privando-nos por vezes do entusiasmo sensorial que é folhear e sentir o aroma de um livro ou de um caderno em branco.
De há uns anos para cá que a febre do digital se faz impor de uma forma crescente, reunindo cada vez mais seguidores.  Não será no entanto difícil entendermos esta escolha se tivermos em consideração a falta de tempo que temos para nós mesmos e para nos dedicarmos a alguma atividade que fuja da nossa rotina – o mais prático assume-se assim como a melhor opção.
E porque é que parece que cada vez se lê menos? Que as pessoas preferem passar o dedo nos seus smartphones ao invés de comprarem um livro? Que é mais agradável ir a uma loja virtual comprar um livro ao invés de o requisitar numa biblioteca?
Há 24 anos Francisco José Viegas, jornalista escritor e editor, já preconizava o declínio do livro referindo que «a vida do livro, em Portugal, é relativamente difícil. Neste momento, chegam-nos os rumores, cada vez mais próximos, de editoras em situação económica difícil. Já sabíamos o que tinha acontecido com as livrarias basta percorrer o País, as principais cidades, para avaliar o espaço que as livrarias perderam em benefício dos bancos, das sapatarias ou das lojas de vestuário. Os cidadãos têm todo o direito de fazer o que lhes apetece de gostar mais de bancos do que de livrarias, evidentemente. E de se vestirem e calçarem. E de não lerem, se é isso que desejam.» e que a escola seria um dos principais motores responsáveis pela crise de leitura entre os jovens: «A responsabilidade da escola na crise atual da leitura, em Portugal como no resto da Europa, é grande. Em primeiro lugar, as escolas não têm livros disponíveis para que os alunos consumam, destruam, roubem, leiam, detestem (as suas bibliotecas são geralmente miseráveis vivem do entusiasmo de alguns professores, de pedidos de livros a que as casas editoras correspondem de vez em quando, mas nunca de um plano, de um trabalho continuado».
Falsos moralismos à parte, seja o que for e de que forma for, o que importa mesmo é que se leia.

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