MAIS UMA RAZÃO PARA VISITAR O CIAJG: “INSTALAÇÃO NO MUSEU DE LUANDA”

A Instalação no Museu de Luanda, realizada em 1968, numa altura em que o patrono do CIAJG se encontrava em Angola, ao serviço do exército português, no contexto da guerra colonial, marca um momento muito importante no percurso do artista. Mostra alguém que, com meios precários e materiais limitados, como a juta, papel, madeira, as caixas que eram usadas nos navios que faziam a carreira do ultramar), consegue criar uma impressionante instalação, que não perdeu a sua força com o andar dos anos.

Pátria é uma obra já do século XXI numa continuidade lógica relativamente aos trabalhos de José Guimarães nos anos 60

Pelo contrário, é impressionante imaginar um militar de carreira, com os constrangimentos que a condição de militar lhe impunha, principalmente em tempo de guerra e num regime autoritário, produzir objetos artísticos tão marcadamente contestatários. Nuno Faria, o diretor artístico do Centro, afirma que “José Guimarães tinha uma existência dupla, havia o militar e havia o artista, não creio que no meio militar a sua faceta artística fosse conhecida”. A Instalação no Museu de Luanda é exposta na sala 2, juntamente com o quadro Pátria, já da século XXI. As duas obras completam-se, ganham sentido juntas e dão sentido ao percurso de José Guimarães.

Este diálogo da obra de vários artistas, entre eles, e com a exposição permanente é motor do museu. “As obras que chegam dialogam com a exposição permanente, deste diálogo criam-se novos significados”, afirma Nuno Faria. Este movimento é evidente, mesmo para quem visitou o CIAJG há pouco tempo; uma obra que tinha sido vista noutro contexto ganha nova vida. Cria-se no visitante um desconforto agradável, quando se instala a dúvida sobre se uma peça já foi vista antes. Há algo de familiar numa máscara que parece conhecida, mas entretanto; será que foi mesmo aquela ou era uma parecida? – agora que a luz é diferente, que em vez de estar no centro está no canto, e que a obra que está ali ao lado já não é um quadro, mas passou a ser uma escultura metálica.

Escassez de recursos e materiais pobres não limitaram a criatividade de José Guimarães

É por esta razão que Nuno Faria não hesita em desafiar os vimaranenses a visitarem o CIAJG, “porque o museu muda e o museu vive com as pessoas”. O diretor artístico lamenta um certo ressentimento pela perda do Mercado Municipal que afasta algumas pessoas do museu. O diretor compreende este sentimento de perda, “até por ser um apaixonado por mercados”, mas lembra que se não desfrutarem do museu a perda é dupla; “perderam o mercado e agora perdem um museu”. Se não houvesse Fernando Lanhas e a coleção de Ivo Martins, bastaria esta Instalação no Museu de Luanda para valer a pena ir ou voltar ao CIAJG.

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