MANIFESTO DO NOVEL E COMPLETO CANDIDATO AO VITÓRIA

por ESSER JORGE SILVA
Sociólogo

Caros Vitorianos. Dirijo-me a todos nesta hora de grande debate do futuro do nosso clube do coração para anunciar a minha candidatura às próximas eleições a ocorrer no próximo mês de Março. Pretendo ser Presidente do Vitória. Anima-me uma forte e quase irracional paixão pelo nosso emblema, uma imensa dedicação às coisas do nossa divisa e, claro, um inquestionável Vitorianismo que, como todos sabem, me leva a dizer presente nesta hora em que, manifestamente, o Vitória corre sérios riscos de nunca vir a ser campeão.

Como é facilmente verificável, entendo que chegou a hora de nos ombrearmos com essa pseudo elite futebolística do país e substituirmos esses tais três pretensos grandes por uma divisa maior e verdadeira. Muito maior. Muito verdadeira. Podemos e devemos ter uma equipa altamente competitiva constituída por jogadores com jota maiúsculo, músculo na venta e técnica de bailarina. Eis a nossa missão: enfrentaremos os nossos adversários com uma equipa toda nascida em Guimarães. Jamais um naturalizado sequer. Nem que seja de Fafe. Forneceremos a base da Seleção Nacional nos próximos cinco anos pelo menos.

Visão: avançaremos com um treinador de rosto televisivo. Um delineador de táticas indestrutíveis. Um treinador de gesto frenético e ‘slow motions’ de baile de salão que largue ‘soud bytes’ futebolísticos a todo o momento. Um Jorge Valdano cujo caderno de anotações se transformará num ‘Cuaderno de Futbol’ de imenso sucesso. Seremos a aliança entre o intelectual e o pedreiro. Entre o arquiteto e o operário. O empresário com o contabilista. O banqueiro e a mulher-a-dias.

Temos ideias como está bom de ver. Temos projeto como adiante se verá. Caso ganhe as eleições estou em condições de anunciar que o Vitória terá um investidor disposto a avançar com 135 milhões de euros para reforçar a equipa. No primeiro ano serão, imediatamente, investidos 60 milhões. Os restantes entrarão nos anos seguintes como reforço. Nesta altura apenas podemos afirmar que o nome do investidor começa por “Muha…”. Nas nossas camisolas ostentaremos, finalmente, uma marca com a expressão “Fly”. Voaremos em todos os estádios, seja de Portugal, seja no estrangeiro. A nossa ambição é o topo dos topos. A nossa disposição é o infinito. A nossa ação pautar-se-á pela consistência.

Onde estava eu quando fomos para a segunda?, pergunta nesta altura o Vitoriano atento. Pois estava ali, onde sempre estou, na bancada junto aos consórcios! Olhando incrédulo a origem de uma possível tragédia. Sofrendo o amargo do fel correndo-me nas veias. É certo que quando o Vitória perde ‘eu sei que dói, eu sei que é lindo’. Mas comigo jamais o nosso Vitória passará vergonhas. Vamos, por isso, alterar a canção para ‘eu sei que é lindo, não quero que doa’. Funcionaremos como uma anestesia geral para os problemas. Connosco, a palavra problema será banida do léxico vitoriano. Para todo o sempre. Verão!

Não me interessa o passado. Longo ou recente, dias passados são dias que que para mim não contam. História é para historiadores. É claro que já se imaginam as vozes: olha, lá está mais um oportunista; quando isto estava nas lonas nem miou e agora que já se fez o ‘ajustamento’ económico e tempos pernas para andar, até um sócio com um número nos trinta mil e tal se sente no direito de avançar. Isto, como se sabe, não são vozes de consciência mas vozes de inibição. São ‘Velhos do Restelo’. Pessoas sem ambição. Gente que se recolhe e acha que só recolhidos devemos viver. São uns vencidos da vida. Uns ‘Eças’, uns ‘Ortigões’, uns ‘Oliveiras Martins’. São uns ‘jantantes’. Não assim não fosse saberiam que eu só não avancei antes porque percebi que o Eng. Júlio Mendes se havia oferecido para uma missão quase impossível e era necessária uma retaguarda. Obviamente fiquei ali atrás para o que desse e viesse. Não fui preciso mas estive sempre presente como está bem de ver.

As coisas até parece que correram bem ao Eng. Júlio. Mas, bem entendido, isto não foi bem assim. Correr bem para mim era ter sido campeão. Pagar passivos é um objetivo demasiado frustrante para pessoas da minha estirpe. É coisa menor. Na verdade, como quase todos, pensei que que o Eng. Júlio e a sua equipa fariam melhor. Afinal sabiam que havia uma cidade na retaguarda. Havia pessoas, ‘forças vivas’, aliás, ‘forças efervescentes de vida’. Gente bairrista, pronta a avançar com uns tantos milhões de adianto. Gente que nunca deixaria o clube cair. Pessoas abnegadas. Positivas. E, claro, sabe-se que só não agiram porque tendo Júlio Mendes dado um passo em frente, a elite vimaranense acedeu a conceder-lhe a oportunidade de brilhar no lodaçal em que o Vitória navegava. Contudo, ficou sempre claro que isso era coisa de somenos.

Eu teria feito muito melhor, nomeadamente, construído equipas de grande capacidade competitiva, resolvido o tal passivo num qualquer ‘projet finance’. Uma engenharia financeira daquelas milagrosas ao jeito da Rainha Santa e o milagre dos pães. Eu teria conseguido que a elite vimaranense, os bairristas, a intensa paixão, o estado fervente, a hiperidentidade do burgo aplicasse o seu dinheiro na SAD do Vitória. Se os briosos Vitorianos decidiram manter o dinheirinho no colchão enquanto largavam lágrimas de dor, isso só revela incompetência por parte do Eng. Júlio que os não soube cativar para o investimento.

Vejo hoje que isto está tudo muito mal. Valsamos contra qualquer equipa, inclusive com as mais fracas. Isto não pode ser. Nada havemos de conseguir com a “chula vareira chula”. Por isso decidi avançar. Candidato-me para levar o Vitória a outros patamares. Na verdade não prometo elevar mas levar. Candidato-me para por o Vitória a dançar como se joga. Ou a jogar como se dança. Passo certo, dinâmica fluída e nora artística. Agora é que vai ser. Fujam da frente que cheguei. Sou o presidente, género ponta de lança, que o Vitória precisa. Se mais ninguém o fizer, vou lá eu com o meu pacote pesado e a minha barriguinha proeminente empurrar a bola para a baliza.  Votem em mim. Vitória sempre! Vitória até morrer!

 

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