MATERNIDADE DE GUIMARÃES AFETADA PELO PROTESTO DOS ENFERMEIROS

Os Enfermeiros especialistas voltam hoje ao protesto, depois de não terem visto satisfeita a pretensão de que o Ministério da Saúde assumisse um compromisso relativamente a um calendário para implementação das medidas que estão a ser negociadas. Este protesto já está a afetar a maternidade de Guimarães.

Em agosto as futuras mães juntaram-se no Parque da Cidade para apoiar a luta dos enfermeiros

A exigência dos enfermeiros foi apresentada na reunião negocial, a 16 de agosto. Para Bruno Reis, representante nacional do Movimento Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia (EESMO), “não faz sentido andarmos a perder tempo na elaboração de um instrumento que não tem nenhuma garantia de ser aceite e sobre o qual o governo não assume nenhum compromisso”. Bruno Reis afirma que, “os enfermeiros compreendem que as alterações não podem ser feitas de imediato, até porque há alterações legislativas que são necessárias, mas queremos que a tutela se comprometa com um calendário”.

Relativamente ao Hospital da Senhora da Oliveira, a partir de hoje, às 08h00, a maternidade começou a funcionar com limitações. Segundo comunicado do EESMO, só há dois enfermeiros especialistas de serviço na sala de partos, quando devia haver quatro, no diagnóstico pré-natal não há solução, na medida em que não há enfermeiros especialistas para prestar este serviço, em puerpério e ginecologia o serviço está a ser assegurado por um enfermeiro generalista.

“Esta forma de trabalhar coloca em risco os utentes (mães e recém-nascidos) e vai contra as exigências da qualidade, bem como, contra aquilo que é preconizado pela Ordem dos Enfermeiros como mínimo para cada serviço, podendo até ser ilegal”, afirma o representa dos enfermeiros especialistas.

Os enfermeiros que estão agora em protesto são aproximadamente os mesmos que participaram no anterior protesto iniciado a 3 de julho e que foi suspenso no início de agosto, quando se iniciaram negociações com o Ministério da Saúde. Na altura estiveram envolvidos 21 enfermeiros do Hospital de Guimarães, num total de 32 no ACES do Alto Ave.

O EESMO alerta para o facto de estarem agora a juntar-se ao protesto mais enfermeiros, de outras especialidades e, mesmo, generalistas. Bruno Reis lembra que toda a organização das carreiras dos enfermeiros “está mal feita”, havendo profissionais com especialidade e mestrado, “que não têm reconhecimento na carreira”. A especialidade de enfermagem é, em termos de tempo de estudo e estágio, equivalente a um mestrado, mas não tem o reconhecimento académico, assim como o mestrado não é reconhecido como especialidade. “Isto só acontece nesta profissão e embora tenha melhorado com o processo de Bolonha, precisa de ser repensado e essa também é uma das questões que queremos tratar”.

Prevê-se que, tal como aconteceu em julho, nos próximos dias o Hospital de Guimarães tenha que começar a desviar grávidas para outros hospitais.

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