MATERNIDADE DO HOSPITAL DE GUIMARÃES ESTÁ A FUNCIONAR APESAR DA PARALISAÇÃO

Os enfermeiros especialistas começam, a partir de hoje, uma paralisação nos serviços de maternidade e centros de saúde.

Este protesto, da responsabilidade do ESMO (enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica), deve-se ao facto de os enfermeiros especializados não obterem qualquer proveito desse estatuto, recebendo vencimentos como se prestassem serviços de enfermagem gerais.

Em conferência de imprensa, a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, comunicou que o bloco de partos do Hospital Nossa Senhora de Oliveira encontra-se encerrada. No entanto, fonte ligada ao hospital garante ao jornal Mais Guimarães que a maternidade encontra-se em funcionamento.

“No Hospital de Guimarães há dez enfermeiros especialistas a assegurar a maternidade”. Quem o diz é Susana Ferreira, responsável pela paralisação em Guimarães e enfermeira no Centro de Saúde de Urgezes. Ora neste Centro de Saúde, e segundo Susana Ferreira, “tudo que está relacionado com a saúde materna está paralisado, não há preparação para o parto, não há recuperação pós-parto, não há consultas de apoio”.

Em conversa com o nosso jornal, o enfermeiro José Azevedo, presidente do Sindicato dos Enfermeiros, disse que em Guimarães e no resto do país, “a adesão tem obtido percentagens altas, para cima dos 80%”. Para José Azevedo, a profissão de enfermeiro requer “chefias e especialistas próprios e uma série de exigências próprias. Se os especialistas médicos ganham enquanto se especializam e recebem um aumento considerável quando acabam a especialização. Os enfermeiros pagam tudo do bolso próprio e o tempo de estágio não lhes é concedido. No fim os médicos têm garantido um lugar de especialista, ao contrário dos enfermeiros”.

As recentes negociações entre o Ministério da Saúde e os enfermeiros voltaram a quebrar. José Azevedo critica a forma como os rendimentos são distribuídos: “os médicos absorverem 87% da massa salarial bruta do Ministério da Saúde, quando os enfermeiros são um terço dos trabalhadores totais deste Ministério”.

O Governo questiona a ilegalidade desta greve de zelo e o Ministério da Saúde já garantiu que este tipo de paralisação infringe “aspetos de natureza ética e de natureza disciplinar, bem definidas da lei”.

 

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