MATERNIDADE PODE TER DE TRANSFERIR GRÁVIDAS

A paralisação dos enfermeiros especialistas está a ter impacto no funcionamento das maternidades e centros de saúde do concelho de Guimarães. Delfim Rodrigues, presidente do Conselho de Administração do Hospital Nossa Senhora da Oliveira, diz que “as mulheres grávidas com patologia obstétrica asso- ciada podem ser transferidas para outro hospital, com melhores condições em termos de segurança e qualidade clínica e de enfermagem”. No entanto, Delfim Teixeira deixa bem claro que o bloco “está a funcionar a 100% e nós nunca colocámos, nem vamos colocar, a questão de encerramento do bloco de partos. Trata-se de atos de urgência que envolvem duas vidas, seria um retrocesso civilizacional encerrar”. No Hospital de Guimarães há 11 dos 32 enfermeiros especialistas a exercer funções, pois estes obtiveram o título quando a carreira ainda previa o grau de especialistas.

Os enfermeiros especialistas começaram, a partir desta segunda-feira, uma paralisação nos serviços de maternidade e centros de saúde. Este protesto, da responsabilidade do ESMO (enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica), deve-se ao facto de os enfermeiros especializados não obterem qualquer proveito desse estatuto, recebendo vencimentos como se prestassem serviços de enfermagem gerais. Os blocos de parto são a área mais afetada pela contestação.

Segundo Susana Ferreira, responsável pelo movimento de paralisação em Guimarães e enfermeira no Centro de Saúde de Urgezes, contou ao Mais Guimarães que, naquele local, “tudo que está relacionado com a saúde materna está paralisado, não há preparação para o parto, não há recuperação pós-parto nem há consultas de apoio”.

Em conversa com o nosso jornal, o enfermeiro José Azevedo, presidente do Sindicato dos Enfermeiros, disse que em Guimarães e no resto do país, “a adesão tem obtido percentagens altas, para cima dos 80%”. Para José Azevedo, a profissão de enfermeiro requer “chefias e especialistas próprios e uma série de exigências próprias. Se os especialistas médicos ganham enquanto se especializam e recebem um aumento considerável quando acabam a especialização. Os enfermeiros pagam tudo do bolso próprio e o tempo de estágio não lhes é concedido. No fim os médicos têm garanti- do um lugar de especialista, ao contrário dos enfermeiros”. As recentes negociações entre o Ministério da Saúde e os enfermeiros voltaram a quebrar. José Azevedo critica a forma como os rendimentos são distribuídos: “os médicos absorverem 87% da massa salarial bruta do Ministério da Saúde, quando os enfermeiros são um terço dos trabalhadores totais deste Ministério”.

O Governo questiona a legalidade desta greve de zelo e o Ministério da Saúde já garantiu que este tipo de paralisação infringe “aspetos de natureza ética e de natureza disciplinar, bem definidas da lei”.

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