OS CAMPEÕES, O DEFESO E O MEXILHÃO

por CARLOS RIBEIRO

Diretor Executivo no Laboratório da Paisagem 

Guimarães continua a ser o “Berço de Campeões”. Muitas vezes inebriados por aquilo que a paixão futebolística provoca, esquecemo-nos, de forma injusta, do estoico trabalho de outras modalidades que fazem subir bem alto o orgulho dos vimaranenses. Foi o exemplo recente do Xico Andebol e do seu regresso ao convívio com os principais clubes da modalidade, e foi o caso da ainda mais recente conquista do campeonato nacional da 2ª divisão de rugby, por parte do GRUFC. A vitória dos “Bravos” é digna de um sublinhado especial, merecendo, estou certo, um olhar diferente dos vimaranenses para esta modalidade.

No futebol, continuamos no período das saídas “quase confirmadas” e das “entradas mais do que prováveis”, perante os “alvos possíveis” e as renovações “quase no papel” ou as dispensas e empréstimos “dados como certos”. Toda uma terminologia que vai alimentando jornais, rádio e televisões, que nos entusiasma e deprime com uma velocidade alucinante. Resta-nos esperar pelo momento em que a bola comece a rolar. No caso do Vitória, a manutenção dos dois timoneiros é desde logo uma excelente notícia e meio caminho andado para o sucesso como já havia escrito. Ainda esta semana, recebemos a notícia da renovação de Vitor Campelos e seus pares, premiando o trabalho que tem sido desenvolvido na equipa secundária do Vitória e que continua a traduzir-se de grande importância para aquela que terá de continuar a ser uma aposta: a valorização de jovens jogadores, da Academia e não só.

Enquanto isso, o futebol português, o tal que tem uma seleção campeã da europa ou o melhor jogador do mundo, vai-se autodestruindo com o “patrocínio” dos do costume. Discute-se poder ou a falta dele. Mais do que o modo como ele é exercido, – se com recurso a fruta ou emails – discute-se poder. Uns agarrados ao poder que lhes tem garantido títulos, outros ansiando pelo regresso ao poder que no passado também os garantiu. Recorrendo à sabedoria popular, não faltam “telhados de vidro” e, no fim, “quem paga é o mexilhão”, com mais ou menos calão no provérbio. Talvez por isso, o assunto me dê náuseas. Nem de um, nem de outro lado, se pugna pela verdade desportiva. O que se pretende mesmo é garantir que, fora das quatro linhas, estejam garantidas as condições para estarem mais próximos de ganhar.

Num país onde apoiar o clube da terra é exceção quando devia ser regra, onde os jornais nacionais ou as televisões tudo fazem para engrossar a onda do “nacional-parolismo”, começa a ser difícil ler ou ouvir tanta asneira. Contudo, para tristeza deles, aqui na terra do Rei, vamos continuar a nossa batalha solitária contra os que continuarão a tudo fazer …para jogarem sozinhos. 

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