PARQUE CALDEIROA / RUA DE CAMÕES? CONCERTEZA

por CÉSAR MACHADO
Advogado

“Boa tarde, a senhora desculpe, não se importa de chamar a vizinha que vive aí ao lado, desculpe a maçada ” . Dois em cada três telefonemas começavam assim em 1987. Antes era pior. Um vizinho, um voluntário para quando o telefone toca,  fazia o favor de ir chamar uns quantos nas redondezas . Só 33% das residências familiares dos portugueses possuíam telefone. Em 2011, 88% dos portugueses  encontravam-se servidos de telefone. Censo recente apurou  13,2 milhões de números registados no serviço móvel. O país mudou muito nestes trinta anos. E se recuarmos a 1970 falamos de uma terra  em que mais de 36% dos alojamentos familiares não possuía electricidade; cerca de 42% não tinha esgotos. 53% não dispunha de água canalizada. A taxa de analfabetização era de 25,7%. Os dados são do  Instituto Nacional de Estatística. País diferente, este, que em 1977 contava com  74 km de auto-estrada. Em 1990 tinha 316 km. Hoje, a rede de auto estradas em Portugal ultrapassa os 3.000 km.

Também  cresceu o número de automóveis, como seria de supor. Em 1987, viatura própria era privilégio de 36% das famílias portuguesas.  Em 2011 essa percentagem andava nos 71%,  duplicou. Em 1990, por cada 1.000 habitantes havia 185 automóveis ligeiros de passageiros; em 2014 passou a 432,mais que duplicou. O uso do automóvel já não é coisa só de poucos.  Luxo, ao alcance de poucos,  é poder dispensá-lo.

Isto posto, a regeneração  urbana que beneficiou Guimarães nos últimos 30 anos tem afirmado a tendência para  acabar com largos e praças carregados de automóveis estacionados, como sucedia na Praça de S. Tiago, no Largo do Município ou junto ao Jardim do Carmo. E bem, dir-se-á. Que suceda o mesmo em outras situações semelhantes. Também é verdade que, em consequência de  novos arranjos urbanísticos nas ruas centrais, tem diminuído o número de lugares de estacionamento, o que não deixa de ser coerente com o propósito anterior. Certo é que de tudo isto tem resultando uma efectiva redução do estacionamento no centro da cidade e, em particular, no Centro Histórico. Em paralelo com esta redução do estacionamento disponível , defende-se que é vital que esse centro seja lugar de atracção,  que mantenha não só os moradores mas também um  comércio activo, um sector de restauração e hotelaria a funcionar eficientemente, que se fixe  gente do sector dos serviços,  em suma, um centro que tenha pessoas. O problema  é que essas pessoas possuem automóveis, chegam de automóvel, hoje em maior número do que em 1990, como no país em geral..E, se assim é, a redução do estacionamento à superfície,  no centro, deverá ser acompanhada da criação de alternativas que assegurem aparcamento  próximo, com condições de  comodidade mínima perto desses lugares centrais onde a possibilidade de parar o automóvel  tem diminuído e tende a continuar a diminuir. É para isto que servem os parques. O futuro Parque da zona da Caldeiroa / Rua de Camões é uma resposta que faz todo o sentido nesta equação, capaz de  beneficiar os serviços e comércio próximos mas, desde logo e sobretudo, os moradores.  E porque os moradores devem merecer particular atenção, é justo que beneficiem de  condições de utilização menos dispendiosas que o comum, semelhantes às dos que moram nas zona da cidade com o estacionamento à superfície sujeito ao pagamento de taxa nos parcómetros.

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