PARTINDO DE BATAILLE FAZEM-SE OS “ENCONTROS PARA ALÉM DA HISTÓRIA”

Em 1955 George Bataille visitou as pinturas rupestes das grutas de Lascaux, aquelas que se consideram a primeira afirmação do homem como “capaz de fazer arte, liberto enfim das penumbras que o deixavam menos distante da irracionalidade animal”. É do pensamento e obra deste homem inclassificável que partem os “Encontros para Além da História”.

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A sexta edição destes encontros, que se realizam sexta-feira, dia 12, na Black Box da Plataforma das Artes, entre as 15h00 e as 19h00, reúne vários autores, de diversos campos do conhecimento e formas de expressão artística.

Pretende-se fazer uma reflexão sobre o exercício de uma arte sem tempo, sem geografia e para além da História. O ponto de partida é a obra do homem controverso que foi George Bataille, com um pensamento que abarcou disciplinas como a literatura, antropologia, filosofia, sociologia e a história da arte, mas que recusava o epiteto de filósofo ou historiador, “por carecer do treino formal”.

O pensamento e a obra de Bataille não são passíveis de serem arrumados numa das prateleiras que fomos criando para organizar a criação humana. Chegou a ser próximo de André Breton e do Surrealismo, mas a “História do Olho” (obra, mal compreendida, pela qual é mais conhecido) caiu mal a este grupo. Bataille consolidou o divórcio com as palavras: “o boi Breton é um falso revolucionário com cabeça de Cristo”.

Este homem, solitário no seu pensamento, questionou-se sobre se não haveria no Homem capaz de fazer arte uma angústia, um sentimento de perda, relativamente aos animais irracionais. As novas habilidades do homem afastavam-no de forma irremediável da natureza e do divino. No “A Pintura Pré-histórica O Nascimento da Arte”, de 1955, Bataille coloca esta angústia em evidência pela forma detalhada como são representados os animais, ao contrário da forma tosca das figuras humanas.

Datadas de 15 mil anos antes da era cristã, as pinturas de Lascaux emergem das profundezas do tempo para nos continuar a maravilhar, nesse sentido o matém um “nascimento perpétuo”, esta forma “primitiva de arte” que Bataille identificou, em 1955, está mais próxima da arte moderna que a arte clássica, extremamente marcada por essa outra invenção do homem que é o tempo.

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