PENHA, O PULMÃO DA CIDADE

por RUI ARMINDO FREITAS
Economista

Com a chegada do bom tempo, começamos todos na procura de actividades ao ar livre, e de espaços para aproveitarmos, com família ou amigos, o melhor local de lazer. Como vimaranenses, temos a sorte de apenas termos que levantar ligeiramente os olhos, para sermos brindados com uma das mais belas joias da Natureza de Portugal, a montanha da Penha.

De facto, poucas cidades do nosso país se podem gabar de serem pontuadas com, a breves minutos do centro da cidade, um pulmão de natureza desta dimensão e qualidade. Importa então explicar, que desde o final do século XIX, que a Irmandade de Nossa Senhora do Carmo da Penha, zela por um dos maiores patrimónios naturais de Portugal. É importante referir que a florestação da Penha surgiu da vontade dos vimaranenses, que decidiram transformar uma montanha árida, naquilo que hoje conhecemos. A montanha da Penha foi uma das primeiras estâncias turísticas do nosso país, tendo, a par com o culto religioso, esta actividade sido sempre central para o seu desenvolvimento.

Quem visita a Penha, fica surpreendido, com a qualidade, limpeza e organização daquela estância, que se deve apenas ao trabalho incansável de uma irmandade que tem como grande prioridade, a par com o culto religioso, a preservação deste património natural. Muitos vimaranenses, não sabem sequer, que aquela estância, é completamente autónoma, tendo a sua própria gestão, sem contar com qualquer tipo de ajudas do erário público.

Mas qualquer referência à Penha, não fica completa, sem nos referirmos ao seu santuário como obra arquitectónica de referência, de um dos vultos maiores da história da arquitectura portuguesa, o arquitecto Marques da Silva, que muitas marcas deixou na nossa cidade. Desafio pois, todos os vimaranenses a descobrirem a Penha, os que já conhecem a redescobrirem este santuário da natureza para perceberem também os motivos que levam a que Penha, graças a um trabalho de organização florestal profundo, de limpeza e de eliminação de espécies infestantes, estar livre do flagelo dos incêndios florestais há quase duas décadas.

Um concelho que almeja ser Capital Verde Europeia, tem que por os olhos na sua maior riqueza natural, e ter um plano para que a Penha seja o centro da natureza do norte de Portugal. Contudo, não posso deixar de dizer, que é para mim incompreensível, que no âmbito da Capital Verde, ainda tenhamos que pagar 5€ por pessoa para nos deslocarmos à Penha de teleférico, um meio de transporte, movido a electricidade, por isso sustentável, e que é mais encarado pelos decisores políticos como um “carrossel” do que uma forma de aproximar o Toural do cume da montanha e de, assim, reduzir o número de automóveis no cimo da mesma. Lá por cima faz-se tudo bem, é necessário que cá em baixo, em Santa Clara se erga um bocadinho os olhos para se vislumbrar o potencial que todos os dias se debruça sobre Guimarães.

Não podia terminar este artigo sem fazer uma referência ao próximo dia 28 de Maio e a mais um grande contenda desportiva que se aproxima no Estádio Nacional. O nosso Vitória disputa mais uma final da taça, que seria a cereja no topo do bolo de uma época que nos deixou a todos os vitorianos muito orgulhosos. Sabemos que não vai ser fácil, nunca é fácil, mas tragam de lá a Taça!!!

1 Comentário
  1. Marco Santos 1 ano atrás

    A Penha é muito bonita de facto mas convém não entrar na auto bajulação, especialmente quando sta está completamente errada. Ao ler este artigo parece que o autor não quer aceitar como a Penha foi criada, o que ela é e, mais do que isso, esquecer todas as outras terras do país que tem coisas tanta coisa bela e equivalente.

    Guimarães não precisa de demagogia para ser grande.

    Vejamos:

    – ” uma das mais belas joias da Natureza de Portugal, a montanha da Penha.”

    Além da Penha não ser propriamente uma obra da Natureza ( a sua vegetação à volta do santuário foi plantada e planeada pela mão humana), a serra que leva à mesma é uma floresta comercial de Eucalipto com todos os efeitos nocivos para o ambiente que daí decorre. Além disso, afirmar que é “uma das mais belas jóias da Natureza em Portugal” é uma afirmação ridícula que ou demonstra completa ignorância ou um ego desmesurado.

    – “De facto, poucas cidades do nosso país se podem gabar de serem pontuadas com, a breves minutos do centro da cidade, um pulmão de natureza desta dimensão e qualidade.”

    Completamente falso. Guimarães fica no meio de uma região extremamente densa populacionalmente e industriosamente. Todas as cidades do Interior tem extensas zonas de serrania e planalto em toda à sua envolvente. TODAS. Mesmo aqui na região, TODAS as maiores cidades tem EXACTAMENTE o mesmo complexo religioso que decorreu da cristianização de Castros que deram origem às cidades. Santa Luzia em Viana (com vistas imbatíveis), Sameiro em Braga são apenas exemplos. Ainda o outro dia fui a Setúbal e as vistas desde a Serra da Arrábida, enorme pulmão a 5 minutos de Setúbal, apresenta uma vegetação NATURAL única (resto da vegetação mediterrânica original) e vistas tão espantosas sobre um mar esmeralda, a península de Troia e a embocadura do Sado. Mais a Norte um pouco, Sintra tem uma Serra única com um micro ecossistema maravilhoso e uma série interminável de palácios, castelos e vistas sobre o Oceano de fazer sonhar qualquer pessoa. Poderia continuar o dia todo e apresentar argumentos de que, mesmo sendo bonita, a Penha não é ex líbris único de NADA.

    – “que decidiram transformar uma montanha árida, naquilo que hoje conhecemos.”

    A montanha da Penha não era propriamente árida. Se fosse árida não suportaria a vegetação abundante e comercial que hoje vemos. A montanha da Penha, como TODAS AS MONTANHAS DO NOROESTE, não tinha vegetação arbórea a partir da franja dos 400m tanto pelas propriedades graníticas dos seus cumes como pela desflorestação criada pelo homem para sustentar as intermináveis cabeças de gado bovino e caprino que aí se alimentavam até ao séc XIX. Ou seja, a Natureza era já abundante em águas e capacidade de suster vida. Aridez verificamos hoje em dia em TODA a terra com eucalipto como pode confirmar qualquer engenheiro florestal.

    – “Mas qualquer referência à Penha, não fica completa, sem nos referirmos ao seu santuário como obra arquitectónica de referência”

    A arquitectura da Penha não é obra de referência de coisa nenhuma. O seu estilo foi os primórdios da preguiça financeira e técnica da arquitectura religiosa e não há absolutamente ninguém que fique abismado ou impressionado com a mesma, Não estamos, convenhamos, a falar de Barroco, Gótico ou Românico. Estamos a falar de Art Deco com curta expressão em Portugal e já deslocada da evolução humana das suas gentes mas integrada em influências académicas externas. Portanto, não vamos agora arranjar mais formas de criar falsas impressões baseadas em opiniões sugestivas ou mesmo falsas.

    – “Um concelho que almeja ser Capital Verde Europeia, tem que por os olhos na sua maior riqueza natura”

    Esta afirmação vem mesmo a calhar e representa perfeitamente as ilusões extremamente constrangedoras que as pessoas, não só de Guimarães mas de todo o lado, tem sempre em relação à sua terra. Guimarães não tem absolutamente nenhum direito moral de se candidatar a capital europeia verde. É um concelho onde reina a dispersão urbana caótica, onde a corrupção imobiliária foi sobejamente conhecida durante décadas, onde a floresta é TODA ELA COMERCIAL e tem 0 valor ecológico, a sua fauna e flora é inexistente, os seus rios e afluentes continuam a ser esgotos a céu aberto (o caso do Ave é escandaloso e impede que existam várias estâncias fluviais que trariam milhões de euros em rentabilidade turística), as florestas estão polvilhadas de lixeiras de várias dimensões, a paisagem tradicional, que tanto sustém a marca regional, tem sido devastadas sem qualquer tipo de preocupação, etc. etc.

    ____________

    Resumindo, a Penha é um local fresco, agradável e bonito. Está efectivamente bem cuidado e é um recurso interessante e um MUST SEE para o concelho. Não é preciso toda a bajulação despropositada e realmente exagerada que verificamos acima para que a mesma seja do agrado dos visitantes e locais.

    Contudo, tal como verificamos nas ilusões que levam um concelho industrializado e sem aptidões nenhumas para tal a candidatar-se à CEV, também vemos no caso da Penha cidadãos que, com boas intenções e paixão genuína pela sua terra, ter uma perspectiva totalmente tendenciosa e alienada da realidade.

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