POR OUTRO LADO

por ANA AMÉLIA GUIMARÃES
Professora

Foram tornados públicos dados estatísticos das exportações por concelho em 2016. Guimarães surge em quinto lugar nacional, é motivo de contentamento. E esse contentamento foi sobejamente mostrado pelo arco político local.

Ponderando a economia de Guimarães pelo seu peso no quadro geral das exportações nacionais, é-se tentado a pensar que temos uma economia pujante, dinâmica, próspera.

Porém, quase em simultâneo, foram divulgados estudos relativos ao ganho médio mensal que se pratica entre nós, e então fez-se silêncio. Afinal, e a cru, muitos dos que contribuem com a sua força de trabalho para o dinamismo, a pujança e a prosperidade de Guimarães, ficam com a parte pequena, com as migalhas do costume.

Como sabemos, a economia de Guimarães assenta numa plataforma onde predomina a indústria têxtil, do vestuário e do calçado, com dezenas de pequenas e médias empresas com elevados défices de organização e de gestão, além de importantes défices tecnológicos, com pouco ou nenhum cuidado com o ambiente.

A quantidade de trabalhadores que recebem salários próximos do salário mínimo nacional é assustadora, como assustadora é a quantidade dos contratos precários, chaga social que está para os nossos dias como a chaga do trabalho infantil esteve num passado que nos parece distante e inacreditável. A denúncia desta modalidade de exploração dos tempos modernos pode ser avaliada na exposição que o PCP em boa hora abriu ao público na sua sede concelhia.

Da leitura das estatísticas sobre o ganho mensal médio, agora publicadas e relativas aos anos até 2014, vemos Guimarães a posicionar-se abaixo da média da região do Rio Ave, muito abaixo da Região do Norte e a deixar-se afastar cada vez mais de concelhos vizinhos.

Torna-se necessário redefinir as políticas municipais de apoio às atividades económicas, valorizando a qualidade do emprego, a prática de melhores salários, a introdução de métodos modernos de gestão e organização das empresas, valorizando melhorias efetivas na defesa e proteção do Ambiente e da Natureza.

Há pois que rever o caminho andado e a candidatura de Torcato Ribeiro à câmara municipal de Guimarães, pela CDU é, neste particular, um outro caminho. Seguramente. Disso falaremos em próximo artigo.

 

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