PORTUGAL CARBONIZADO PELA COMPETÊNCIA ESQUECIDA

por Carlos Guimarães

Médico Urologista

De que vale Portugal Campeão da Europa ou Vencedor do Festival da Canção Eurovisão, quando permite a morte de dezenas de pessoas num incêndio desproporcionado, mas absolutamente conhecido? A culpa não é do raio que a trovoada mandou, mas a culpa existe, tem de existir.

Posso até ser mais meigo e chamar à culpa falta de competência, uma espécie de culpa encapotada, mas afigura-se-me inadmissível que uma estrada não esteja encerrada quando atravessa uma área florestal a arder de forma descontrolada, da mesma forma que as evacuações têm de ser realizadas no tempo adequado. E NÃO PRECISAMOS DE CANADAIR PARA FAZER ISTO. Para “evacuar” cadáveres carbonizados não é necessário Autoridade Nacional de Proteção Civil, nem GNR, nem Exército ou qualquer outra força de segurança. Não me venham dizer que era impossível prever. Impossível era evitar o raio mas toda a gigantesca dimensão da catástrofe humana poderia ser evitada.
Não era previsível que a Ponte de Entre-os-Rios ruísse naquela noite de tempestade com todas aquelas almas em cima do seu tabuleiro, mas ruiu e até teve consequências políticas. O que aconteceu em Pedrogão Grande era previsível e as pessoas não deveriam estar naquela estrada fatídica. Um veículo da GNR era capaz de o fazer, mas tal não foi feito.
Nos dias em que S. Pedro se esquece de desligar o forno, pergunto qual é o interesse de ver dezenas de militares da GNR a verificar documentos e automóveis nas rotundas peri-urbanas! Encontrei dezenas deles, hoje, ao fim da manhã, num percurso de 15 Km.
A falta competência não pode ser tolerada quando se trabalha em ambiente de catástrofe ou quando está em causa a segurança das pessoas.
Se não controlarmos a hemorragia no tempo certo, não adianta fazer transfusões.
Irrita-me de forma biliar ouvir os zeladores da nossa segurança fazendo os discursos de sempre ao lamentar as mortes ocorridas, a distribuir condolências e a disponibilizar meios de apoio psicológico.
Pasmo ao ver a visita dos nossos Políticos ao local da catástrofe, rodeados por uma miríade de gente vestida com coletes bem identificados a fazer uma espécie de guarda de honra, quando deviam estar cem por cento concentrados nas suas tarefas. Senhores Políticos, não apareçam, fiquem disponíveis longe do local, não arrastem o circo deprimente à vossa passagem, assim as pessoas trabalham.
Nem sempre a Nossa Senhora de Fátima vem em nosso auxílio.
Caiu uma ponte em Entre-os-Rios, construíram-se duas, e agora o que se vai fazer?

 

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