REVALORIZAR A POLÍTICA ATRAVÉS DA PROXIMIDADE

por Armindo Filipe da Silva Lopes

Presidente da União das Freguesias de Serzedo e Calvos

 

A descrença e a desconfiança na atividade política e nos atores políticos é uma realidade transversal a todas as sociedades democráticas neste momento. Em Portugal, este fenómeno toma proporções especialmente significativas. Penso que este descrédito nas instituições, nos atores políticos e no próprio funcionamento da democracia, sendo um sintoma de algo errado nas nossas sociedades, é algo que nos deve alarmar e cujo verdadeiro impacto não conseguimos medir nem prever. Numa semana em que todo o mundo assistiu, a meio caminho entre a estupefação e o susto, a mais uma ação incompreensível da Administração Trump, vi-me outra vez confrontado com os problemas que este afastamento entre os cidadãos e o comportamento dos atores políticos pode trazer para a nossa vida em sociedade.

É por isso que, embora pareça algo contraditório, este ceticismo perante a classe política também me afeta a mim. No entanto, posso afirmar que tive o prazer de contactar diretamente com muitos colegas, com trabalho direto em autarquias, juntas de freguesias e outros órgãos de poder local, assim como de organizações sem fins lucrativos, associações culturais, cujo trabalho, virado para a população, ouvindo-a e agindo com ela e conforme os seus interesses, tem permitido que a minha crença na atividade política como um ideal nobre e como uma vontade de genuína de melhorar o estado das coisas não desapareça.

A política parece-me, assim, uma faca com dois gumes, que ora pode ser utilizada como instrumento de representação e emancipação dos verdadeiros interesses da população, ora como um meio de utilização do poder para reprodução de fenómenos de exclusão social, de criação de conflitos, etc. Acredito que a verdadeira forma de fazer com que a população volte a ganhar confiança nela é através do trabalho de pessoas como estas, que diariamente demonstram que aqueles que levam a sério o facto de serem representantes da população estão em muito maior número do que aqueles que não o fazem e não o sentem. É também esta predisposição que eu encontro nas associações das freguesias de Serzedo e Calvos, como por exemplo no trabalho realizado pelas Associações de Pais, organizados espontaneamente e que, a custo do esforço pessoal dos seus membros, realizam um trabalho valioso de defesa dos interesses dos alunos, nos Escuteiros que, num trabalho de décadas, têm mantido os seus agrupamentos funcionando como polos dinamizadores da freguesia, onde os jovens têm a possibilidade de conviver e trabalhar em conjunto ou até nas comissões de festas que, regularmente, de forma informal e pouco organizada, se juntam e trabalham durante largos meses com o simples objetivo de realizar uma festa na freguesia. É este tipo de participação que enriquece a nossa vida em sociedade e é este trabalho que nos motiva e que nos faz gostar de viver onde vivemos. É isso que guia o meu trabalho enquanto Presidente da U. F. de Serzedo e Calvos e me dá vontade de querer continuar a fazer o melhor trabalho possível pela nossa população.

 

 

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