RUI HORTA

Nome completo

Rui Horta

Nascimento

20 de abril de 1957

Lisboa

Profissão

Bailarino e coreógrafo

O Centro Cultural Vila Flor foi o palco escolhido para a estreia absoluta da mais recente criação de Rui Horta, um solo, interpretado pelo próprio. Após 30 anos de ausência, Rui Horta regressou aos palcos com “Vespa”. A peça estreou no dia 20 de abril, data em que o conceituado bailarino e coreógrafo celebrou o seu 60º aniversário.

“Guimarães é um sítio onde tenho apresentado todas as minhas obras e, quando me disponho a apresentar uma nova peça, faz todo o sentido ‘jogar em casa’”, contou Rui Horta, deixando elogios à cidade: “Adoro esta cidade. É a minha segunda casa em Portugal”. Começou a dançar aos 17 anos nos cursos de bailado do Ballet Gulbenkian, depois do 25 de abril, porque o seu corpo “se libertou como a sociedade inteira”. Rui Horta praticou desporto “desde que se conhece”, como remo ou ginástica, e passar para a dança era a “única via possível”. “Não havia uma tradição e havia imenso estigma. Os rapazes que dançavam eram logo homossexuais e as pessoas começavam a fazer ‘trinta por uma linha’. Nesse momento foi um ato de coragem. Foi uma libertação do corpo que se deu, no segmento de outras áreas como o teatro, a música ou o cinema”, disse.

Nascido em Lisboa, sonhou ser arquiteto. Estudou dança em Nova Iorque nos anos 70 e ali foi coreógrafo e professor. Regressou a Portugal na década seguinte como bailarino e coreógrafo, depois passou mais dez anos a viajar pela Europa, muitas vezes como diretor do SOAP Dance Theatre de Frankfurt, até que em 2000 se aproximou do Alentejo para fundar o Espaço do Tempo, uma residência de criação artística no Convento da Saudação, em Montemor-o-Novo, a uma hora da capital. A planície atou-lhe as mãos e os pés, e isso é bom, diz o bailarino, que fala por impulso, e depressa, como quem mantém a energia voraz da grande cidade.

O improviso é uma “matriz” fundadora do seu trabalho. “Quando estou a trabalhar para criar uma peça improviso muito em frente aos outros intérpretes”, sublinhou o Rui Horta, que explica que a criação não é sempre um exercício de improviso. “É um exercício refletido muito forte e cerebral. Os dois [improviso e preparado] complementam-se. Sem inspiração e sem um trabalhado inspirado não há composição possível”, esclarece.

“Não sou uma pessoa que olha para trás. Interessante é olhar para a frente”

Os primeiros cinco minutos no palco são os “mais difíceis”, mas a partir desse momento, Rui Horta, “disfruta” daquilo que faz. O bailarino e coreografo voltou aos palcos após 30 anos de ausência. Muitos anos para Rui Horta que já nem se lembra da última vez que dançou. “Não sou uma pessoa que olha para trás. Interessante é olhar para a frente”, referiu. Agora, com 60 anos, Rui Horta tem a “estabilidade” familiar necessária e a oportunidade para fazer aquilo que lhe “dá gozo”. O corpo pode até não responder como antes, mas com os ensaios diários e as técnicas diferentes, o bailarino “resiste” ao tempo. “Doí sempre qualquer coisa”, contou sorrindo.

Esteve ausente “tanto tempo” porque sempre lhe deu “muito gozo” estar atrás do palco. “A construção coreográfica é tão intensa e necessita de uma distância crítica tão grande – um estar de fora – que quando coreografava ou encenava sentia que se estivesse em palco o resultado não seria tão bom. Achava que era melhor estar fora, para ter distância. E depois a vida vai-se complicando, vamos tendo um percurso cada vez mais complexo, depois tenho três filhos, depois a vida começa a estar cheia, depois quando voltei a Portugal criei o Espaço do Tempo… Não sobra realmente o tempo para te disciplinares e cuidares do teu corpo, acabas por ter energia para estares atrás, não em cima do palco”, disse.

“Vespa” é um regresso e talvez seja uma despedida. Não se sabe. A seguir a Guimarães, apresenta-se em Coimbra (29 e 30 de abril) e Aveiro (06 de maio), depois Ovar, Famalicão, Viseu, Guarda e Porto. “Este já cá canta. Depois logo se vê”, relatou.

Por: Diogo Oliveira

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