SOCIEDADE MUSICAL DE GUIMARÃES

por ARMINDO CACHADA

Uma tripla responsabilidade:

formar músicos, criar públicos e pensar a música

Quando se fala de música, pode subentender-se muita coisa. Uma é compô-la e executá-la, outra é preparar públicos específicos para a consumir, outra ainda é pensá-la. Pensá-la na sua história, nas suas raízes tradicionais, na sua performance, nas suas políticas educativas e pedagógicas ou nas tecnologias da sua atual produção digital. Mas também no que representa em termos de formação de identidades culturais, ou de como influencia a vida dos povos e as suas variadas expressões artísticas. E ainda no que ela representa em termos de herança patrimonial e cultural da humanidade: não apenas de legado de grandes obras musicais, de grandes compositores, ou de grandes intérpretes, mas também das múltiplas formas de expressão musical de âmbito cultural, religioso ou profano, traduzidas em manifestações e vivências muito concretas.

Formar músicos e criar públicos

A Sociedade Musical de Guimarães (SMG), uma das mais antigas instituições culturais da cidade (1903), não esquece estes diferentes aspectos da música e procura aplica-los sua atividade docente e de expressão criativa. Através da sua Academia, forma músicos profissionais e abre-lhes os caminhos do palco ou da docência pedagógica nas áreas das ciências musicais ou da performance instrumental, integrados em orquestras, ensembles ou áreas afins do saber musical.

Mas, através dos seus repetidos concertos, recitais, ou outras iniciativas musicais, forma também públicos. Ao longo de quase vinte e cinco anos de atividade, que se completarão em 2017, formaram-se na Academia da SMG centenas de músicos e instrumentistas, mas também se foi criando um público cada vez mais culto e seletivo em termos de gostos musicais. Este é o lado mais objectivo e visível da música, o da formação de músicos, da composição e da interpretação musical.

Pensar a Música

Mas há um outro lado menos visível, embora não menos importante, que é o de pensar a música, de investigar a influência que ela exerce nas vivências e criatividade humanas, ou na estruturação das diferentes identidades culturais. A música faz parte da vida de cada um individualmente e de cada povo colectivamente, com características e expressividade bem diferenciadas. Nesse contexto, pode dizer-se que não há praticamente campo ou aspecto da atividade humana que não seja influenciado pela música, de qualquer estilo que ela seja.

Património Musical

Através do seu Centro de Estudos e de Investigação Musicológica (CEIM), a Sociedade Musical de Guimarães assegura também este aspecto específico, que é o de pensar a música nas suas diversas vertentes. E as iniciativas que leva a cabo, nesse contexto, são várias. Por um lado, no seu Portal Musical <www.musicave.org>, procura identificar, estudar e divulgar o património musical vimaranense, constituído essencialmente por partituras musicais, à guarda de várias instituições culturais da cidade. Por outro, nos seus simpósios musicais, organizados bienalmente, reúne investigadores, musicólogos, historiadores e outros interessados no património musicológico e etnomusicológico para, em conjunto, se debruçarem sobre múltiplas questões relacionadas com saber musical em geral e com a relação que a música pode assumir com as atividades humanas acima referidas. Não é tudo, mas também já não é pouco.

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