TENTAÇÕES

por MARIA DO CÉU MARTINS
Economista

Tal como o chocolate preto, a que resisto todos os dias, é muito difícil passar ao lado de algumas tentações que marcam a nossa construção social, a saber:

Dizer mal do futebol. Começo regularmente o meu dia com a rúbrica “enquanto dormia” do David Dinis, do Público, que tem o mérito de introduzir, de forma resumida mas assertiva, os assuntos do dia. Hoje, como sempre, introduz a rúbrica de desporto falando de futebol e reserva a última linha para uma pequena nota sobre a medalha de ouro do mundial de K1 5000 metros de canoagem de Fernando Pimenta. É lamentável que até um jornalista como ele se perca na hierarquia da relevância da notícia. Os resultados e negociozinhos do futebol nacional não deveriam sobrepor-se a uma medalha de ouro alcançada num campeonato do Mundo!

Dizer bem das minhas opções de férias.  De alguns anos a esta parte faço férias de verão em Ponte de Lima. Agrada-me a distância, 30 minutos de autoestrada. Agrada-me a envolvente, rio e montanha a perder de vista. Agrada-me o enquadramento, uma vila pequenina, linda como o presépio e repleta de surpresas. Este ano cheguei e fui surpreendida, na rua, com recriações de época do inicio do século XX. De seguida entrei direta num conjunto de consertos, gratuitos, num anfiteatro a céu aberto onde todos têm lugar sentado. Passei pela feira dos petiscos e fui ao museu do brinquedo revisitar algumas memórias da Fábrica Pátria. Votei no meu jardim de eleição no festival internacional de jardins e assisti a corridas de cavalos e charretes. Passeei de canoa e mergulhei no rio. Nos restaurantes locais, dos melhores da região, saboreei o tão genuíno arroz de sarrabulho. E acho que desta vez até encontrei desculpas para o mau feitio dos locais – vem aí a massificação do turismo que não irá fazer mossa nesta gente com carácter.

Falar de política. A das eleições autárquicas que se aproximam. O poder instituído interiorizou a vitória como certa e faz apenas cumprir o calendário da peregrinação habitual. Não muda nada, nem nas opções e nem no discurso. E naquilo que mudou – a equipa de vereação, passou sem explicar. À direita o PSD faz uma coligação redutora que condena qualquer crescimento de centro-esquerda apesar do discurso inclusivo do seu líder e de uma estratégia de marketing politico bastante eficaz. Da esquerda chega-nos a candidatura de Wladimir Brito e de Torcato Ribeiro. O primeiro a necessitar de mais tempo ( e mais garra) para municipalizar o discurso de Catarina Martins ou de catapultar para a esfera politica todo o prestigio de que goza no meio académico. O segundo, o que foi, a seu tempo, o mais improvável candidato do PCP, a crescer pelo mérito de se ter tornando no “grilinho falante” da poder local, merecendo pelo voto o reconhecimento de sentido de oportunidade critica que vai faltando.

Criticar. Uma das principais bandeiras da governação autárquica que cessa funções, é a construção de um edifício, destinado ao estímulo da ginástica, pressupostamente autossustentável. O edifício é bonito, está localizado num dos melhores locais da cidade, foi demasiado caro e está longe de se sustentar. Da pertinência de se construir um edifício de raiz para a prática de uma modalidade que não tem tradições na cidade já muito se disse – não se disse é que não serve todas as ginásticas; e não se explicou como se sustenta se carece de verbas rechonchudas para a sua gestão.

 

 

 

 

 

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