TRABALHADORAS DAS CANTINAS ESCOLARES CONSEGUEM ACORDO “HISTÓRICO”

A greve marcada para dia 2 de junho ficou sem efeito depois de as trabalhadoras das cantinas e a Uniself conseguirem chegar a acordo, numa reunião na Câmara Municipal  de Guimarães, na passada quinta-feira, dia 1 junho.

As reivindicações das trabalhadoras das cantinas escolares do concelho de Guimarães passavam por sete pontos: passagem a efetivos de todos os trabalhadores; reclassificação das cozinheiras de acordo com o contrato coletivo de trabalho; reclassificação das empregadas de refeitório de acordo com o contrato coletivo de trabalho; aumentos salariais; cumprimento do caderno de encargos protocolado entre a autarquia e a empresa concessionária; reforço do quadro de pessoal para cumprir as tarefas a um ritmo aceitável; cumprimento de compromissos assumidos com o sindicato. Mário Moreira, do Sindicato dos Trabalhadores da Industria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte, reconhece que nem todos estes pontos foram atendidos, mas que “isto trata-se de um processo e foi um grande avanço, aquilo que se conseguiu”. A principal reivindicação das trabalhadoras passava pelo tipo de vínculo. “Independentemente de trabalharem há um, há dois ou há 20 anos todas as trabalhadoras tinham que assinar anualmente um contrato em setembro”, explicava o sindicalista na quinta-feira antes de entrar para a reunião que juntou no gabinete da vereadora Adelina Paula Pinto, dois administradores da Uniself e duas representantes das trabalhadoras, além do representante do sindicato. “Só o facto de os termos aqui trazido para conversar já é uma vitória”, afirma Mário Moreira.

40 cozinheiras vão passar aos quadros da empresa

Da reunião saiu um acordo que implica que 40 cozinheiras passam aos quadros da empresa com efeitos imediatos. “Isto significa que algumas destas cozinheiras não vão assinar contrato, este ano, pela primeira vez em 20 anos”, lembra Mário Moreira. Destas 40 cozinheiras 19 serão reclassificadas para a categoria 2. “É uma vitória parcial, fica ainda muito em aberto, mas também temos que reconhecer o esforço da Câmara Municipal que proporcionou este encontro”, diz representante do sindicato.

Mário Moreira afirma que se trata de um “acordo histórico”

Mário Moreira afirma que este é um “acordo histórico” que pode “inspirar o resto do país a ultrapassar a precariedade”. O representante das trabalhadoras afirma que este regime de trabalho em que as trabalhadoras assinam contratos anualmente é regra por todo o território nacional. Para o sindicato este é um processo de negociação que agora se iniciou, mas que está longe de estar determinado. Ficam em aberto questões como o cumprimento do caderno de encargos. Mário Moreira acusa a Uniself de não cumprir o caderno de encargos e ilustra com situações concretas como: “a empresa é obrigada a fornecer refeições de bacalhau duas vezes por mês e isto não é cumprido”. Outra questão importante que o sindicato quer ver resolvida é a dos quadros incompletos e a do trabalho a tempo parcial de forma irregular. “Em nenhuma escola do concelho o quadro estabelecido pelo caderno de encargos é cumprido”, diz Mário Moreira e lembra que dessa forma as pessoas que asseguram o serviço têm que trabalhar a ritmos desumanos. Relativamente ao trabalho parcial o representante do sindicato fez saber que entregou à vereadora Adelina Paula Pinto uma lista de 36 casos de trabalhadoras a tempo parcial, em que o tempo mínimo de quatro horas, estabelecido para o regime de tempo parcial, não é cumprido. Em 32 destes casos as trabalhadoras fazem três horas e em quatro casos fazem duas horas.

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