TRÊS RETRATOS DE GUIMARÃES: 2009, 2013, 2015

Somos cada vez menos residentes no concelho, estamos mais velhos, as nossas empresas exportam cada vez mais, o desemprego baixou, o preço médio das casa baixou, mas já está outra vez a subir.

Sete dimensões, entre os quais população, habitação, ensino, município, ambiente, empresas e emprego, dividem-se em 19 indicadores para nos dar três retratos de Guimarães. Os anos são os das últimas eleições autárquicas, 2009, 2013 e o último ano civil completo de que há dados completos, 2015. Nesta altura os políticos atiram números para o debate, procurando dar com eles a imagem que melhor se adapta às suas pretensões. Ao longo deste período de pré-campanha, em Guimarães, já se falou do decréscimo da população e do saldo financeiro da Câmara e da receita que esta arrecada em impostos. Direta ou indiretamente, numa cidade que se candidata a Capital Verde Europeia, os números relacionados com o ambiente são sempre um tema importante, mas depois de uma grave crise financeira que levou o desemprego a números recorde, os números que se referem a este tema também são importantes. Numa cidade em que os jovens têm alguma dificuldade em encontrar casa para comprar ou alugar, o preço da habitação também é um tema relevante.

População: somos menos

Em 2009 o concelho de Guimarães aproximava-se dos 160 mil habitantes, em 2009 já não chegávamos aos 157 mil e em 2015 somos pouco mais de 155 mil. Em seis anos o concelho perdeu cinco mil habitantes. Este é dos argumentos que o candidato da coligação Juntos por Guimarães, André Coelho Lima, tem usado na sua campanha. Para André Coelho Lima o concelho não tem conseguido fixar população.

Somos menos mas também somos mais velhos. Em 2009 havia 3,85 idosos por cada cinco jovens no concelho, muito melhor que a realidade do país, que na altura tinha 5,9 idosos por cada cinco jovens e que o Ave que, na mesma altura tinha 4,1 idosos por cada cinco jovens. Em 2013 Guimarães já tinha piorado o bastante para estar a par com o Ave, ambas as regiões com 4,85 idosos por cada cinco jovens. Em 2015 a situação continuou a agravar-se agora há 5,5 idosos por cada cinco jovens, em Guimarães, a nível nacional já havia 7,2 idosos por cada cinco jovens, na mesma altura.

Também temos cada vez menos filhos. Em 2009 nasceram no concelho 1 376 bebés, em 2015 nasceram menos 163, apesar de tudo um pouco mais que em 2013, em que nasceram 1 126. Este ligeiro aumento da natalidade já serviu para equilibrar o saldo natural (diferença entre nascimentos e óbitos) de forma que em 2015 houve um pequeno aumento deste indicador, depois de ter caído em 2009.

Habitação: é difícil encontrar casa

É voz corrente que em Guimarães é difícil encontrar uma casa, seja para alugar ou para comprar. “Não há produto”, diz Adriano Carvalho, agente imobiliário. Ainda assim, o preço médio da avaliação baixou de 2009 para 2013, num movimento de correção que foi comum a todo o mercado durante o período mais duro da crise financeira.

O valor médio da avaliação que era de 880€/m², em 2009, baixou para 810€/m², em 2013. Em 2015 este valor já estava novamente a crescer e tocou os 857€/m². As casas em Guimarães são mais caras que em média no Ave, mas apesar de tudo, mais baratas que a média portuguesa, que é empurrada para cima por cidades como Lisboa ou o Porto e estava em 2015 em 1 034€.  Comparativamente com Braga , a habitação em Guimarães era avaliada por menos sete euros o metro quadrado, em 2009, em 2015 Guimarães já era mais cara do que Braga 20€€/m².

Ensino: há menos crianças e menos escolas

Menos bebés significam, a prazo, menos crianças na escola. Se ainda não se nota este decréscimo no segundo e terceiro ciclo, no primeiro ciclo havia em 2015 menos cinco estabelecimentos de ensino que em 2009. O número de estudantes no ensino não superior decresceu de 2009 para 2015 quase sete mil. Inevitavelmente a prazo, se a tendência se mantiver, mais escolas terão que fechar.

Finanças do Município: boas contas ou excesso de acomulação?

Os veradores do PSD e do CDS têm criticado o saldo financeiro da Câmara, que na sua opinião permitiria, se não fosse tão elevado, ter políticas mais amigas das empresas e dos munícipes. O presidente defende-se dizendo que se trata de ter contas sãs e que o Município e de fazer uma gestão prudente. A receita de IMI por habitante tem subido de forma consistente. De 81,5€ por munícipe em 2009, subiu para 108,2€, em 2013 e para 125,7€ por munícipe, em 2015. O aumento foi de 56,8€, ao passo que na média dos municípios nacionais foi de apenas 48,7€. Em Famalicão no mesmo período o IMI subiu 35€ e estava, em 2015, nos 108€ por munícipe, ao passo que em Braga era em 2015 de 121,4€ por munícipe, uma subida de 24,2€ relativamente a 2009, em que o valor se fixava nos 97,2€.

Emprego e empresas: um motor da economia

As empresas do concelho puxam pelo crescimento das exportações da região e do país. O saldo tem sido continuamente crescente desde 2009. O emprego, a par com o que aconteceu na região do Ave e no país caiu em 2013, para recuperar na em 2015. O emprego na administração pública também reduziu em 2013, mas já tinha recuperado nos números de 2015.

Ambiente: a cidade que quer ser Capital Verde Europeia

Entre 2009 e 2013 não houve diferença significativa no número de quilos de resíduos recolhidos selectivamente, apesar de ter havido um aumento das despesas percentuais, da Câmara, em ambiente de 3,3% para 6,9%. Apesar de ainda não haverem números de 2015 (o outro ano deste retrato), espera-se que Guimarães possa melhorar significativamente nestes indicadores, uma vez que, os esforços para a candidatura a Capital Verde Europeia, nomeadamente o sistema de recolha selectiva de resíduos PAYT (página 7), apontam nesse sentido.

Infográficos: Rui Dias e João Bastos  Fonte: PORDATA

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