UM RETRATO DO CRÉDITO EM GUIMARÃES NO SÉCULO XXI

A 17 de Maio de 2011, o governo português, na altura liderado por José Sócrates, assinou o memorando de entendimento com a Comissão Europeia, o BCE e o FMI, para um programa de ajuda financeira que durou três anos. Este programa permitiu que Portugal se continuasse a financiar a custos controlados, numa altura em que o país já não se conseguia financiar normalmente no mercado. Este momento determinou uma travagem a fundo na economia que vinha em aceleração desde o início do século. Guimarães acompanhou de alguma forma o que se passou no país, embora com algumas particularidades no momento da retoma.

Embora Portugal só se tenha confrontado com os seus problemas em 2011, com a chegada da troika, o problema já remontava a 2007, com a crise do sub-prime nos EUA. Nessa altura os mercados começaram a fechar-se para o Estado português e para as suas empresas, inclusivamente os bancos. Com isto as taxas de juro dispararam. Mesmo assim, o crédito continuou a fluir ainda durante mais algum tempo.

Em Guimarães o pico do crédito à habitação aconteceu em 2010, com 1.049.285 euros, uma subida de mais de 230% desde o início do século, quando este tipo de crédito em Guimarães ficava pelos 305.114 euros. O mesmo aconteceu em Vila Nova de Famalicão, em que o crédito à habitação subiu de 305.114 euros, em 2000, para 1.031.285 euros, em 2010, e em Braga com uma subida de 738.103 euros para 1.841.940 euros, no mesmo período. Esta subida teve tanto a ver com o aumento do número de famílias a comprar casa própria, incentivados pela ideia de que com uma moeda forte, como o euro, os juros nunca iriam subir para valores muito elevados, como com a inflação galopante dos preços das casas. Este viria a ser um dos problemas dos bancos, quando mais tarde os activos tiveram que ser reavaliados. Na primeira década do século, em Portugal, o crédito à habitação subiu de menos de 50 milhões de euros para mais de 83 milhões (uma subida de 40%).

A curva do crédito ao consumo não acompanhou exactamente o que aconteceu com o crédito à habitação durante os primeiros dez anos do século XXI. Até 2009, os bancos emprestaram menos aos vimaranenses. De 1.145.732 euros em 2000, caiu para 918.022 em 2009, para depois voltar a subir até 2011. Este fenómeno talvez possa ter alguma relação com a Capital Europeia da Cultura, já que, logo a partir de 2012, o crédito ao consumo no concelho entrou em queda livre. O concelho de Braga teve um comportamento semelhante, embora com uma queda menos acentuada nos primeiros anos do século, e com o pico do crédito ao consumo já em 2012. No concelho de Famalicão o crédito esteve em crescendo desde o início do milénio até 2012. Dá ideia que os concelhos de Guimarães, Braga e Famalicão receberam as notícias da crise com um atraso de dois anos, porque em Portugal o crédito ao consumo já vinha a cair desde 2010. Do valor mais elevado, no total do crédito ao consumo concedido no país, quase 194 milhões de euros, já tinha baixado para menos de 171 milhões, em 2012.

Crédito em Guimarães continua em queda

Se na primeira década do novo milénio, Guimarães acompanhou o que se passou em termos de concessão de crédito no país, e nos concelhos vizinhos de Braga e Famalicão, na recuperação não parece estar a acontecer o mesmo. Em Braga e Famalicão o crédito para a compra de casa atingiu valores mínimos em 2014. Em 2015, em Famalicão já havia sinais de alguma retoma com uma subida de 1,3%, em Braga o crédito concedido para esta finalidade parou de cair e estabilizou.

. Em Guimarães, o crédito à habitação ainda não parou de cair desde 2012. Em 2014, aconteceu, pela primeira vez, os valores de crédito para compra de casa serem mais elevados no concelho de Famalicão que em Guimarães. Isto poderá estar relacionado com questões puramente económicas, mas também pode ter a ver com a dificuldade de encontrar casa em Guimarães, que por seu turno inflaciona o preço das casas (voltamos à questão económica). Apesar de os bancos terem financiado as famílias em 6,8 mil milhões de euros no total do primeiro semestre do ano, de acordo com dados das novas operações de crédito publicados pelo Banco de Portugal, as famílias vimaranenses parecem afastadas desta nova abundância de crédito. A situação acontece num período em que o concelho de Guimarães perdeu cerca de cinco mil habitantes.

Também no crédito para o consumo de outros bens e serviços, nomeadamente viaturas, Guimarães continua em perda, depois de, em 2014, Braga, Famalicão e a Região do Ave no seu todo, terem invertido a curva que vinha a decrescer desde 2010.

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