UMA CONVERSA COM O “FILHO DA TRETA”

José Pedro Gomes e António Machado protagonizam o “Filho da treta”, que tem raízes na peça “Conversa da treta”, celebrizada pela dupla José Pedro Gomes e António Feio, durante dez anos. A Mais Guimarães não podia faltar à chamada e foi falar com os atores.

Com texto de Filipe Homem Fonseca e Rui Cardoso Martins, que cruzam referências atuais, das “tascas ‘gourmet’” aos hábitos de leitura do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, “Filho da treta” tem raízes na peça “Conversa da treta”, de José Fanha, celebrizada pela dupla José Pedro Gomes e António Feio, durante dez anos, primeiro no teatro, em 1997, depois na rádio, na televisão e, por fim, no cinema, no “Filme da treta”, de 2007. José Pedro Gomes (JPG) e António Machado (AM) continuam com uma conversa de “treta”.

AM – O gosto pela representação vem de criança?

Sim, desde miúdo sempre quis ser ator. Imitava as personagens que via nas séries e os “sketches” do Herman (José). Por um breve período pensei em ser médico, mas passou, felizmente. Fazer palhaçadas com os doentes não seria muito bom (risos).

JPG – O José Pedro Gomes pensava ser ator?

Nunca pensei poder vir a ser ator profissional. Comecei a fazer teatro amador quando comecei a ver todo o teatro que se fazia em Lisboa. Estou a falar de 1968/69/70. Antes tinha visto algumas, poucas, peças na escola. Tudo isto me deu o gosto pelo teatro.

JPG – Ao longo de todos estes anos de profissão já trabalhou com várias gerações de atores. Apesar da vasta experiência que tem ainda consegue recolher ensinamentos úteis para a sua profissão, vindos dos novos atores?

A cada vez que trabalho com um colega aprendo qualquer coisa. A contracena, o diálogo com o outro, é sempre diferente e, por isso, enriquecedor.

JPG – Apesar de já ter feito papéis em todas as áreas da representação, o seu percurso profissional está marcado por grandes papéis cómicos. Embora a opinião se divida quanto à dificuldade de cada uma das áreas, considera que a comédia é o género mais difícil da representação?

O fazer comédia não é fácil. Mas tenho visto muitos atores “sérios” fazerem comédia. É uma questão de trabalho.  De especialização, quase. O mesmo que fazer drama para um ator cómico… Se houver talento é uma questão de trabalho.

AM- É a favor da existência de uma carteira profissional de ator?

Sim. Acho que seria bom para todos os que fazem desta vida profissão.

AM – comédia é um acaso ou uma vocação?

Quando fiz o curso de atores, no IFICT, os professores diziam que eu tinha jeito para “commedia del’arte”, e desde pequeno que fazia coisas para as pessoas se rirem. Penso que será vocação (risos).

AM – Por falar em comédia, o António Machado integra o elenco do “Filho da Treta”, que tem raízes na peça “Conversa da treta”. O que sente em prosseguir este trabalho?

Foi uma honra muito grande receber este convite. Fiquei histérico. Depois percebi a responsabilidade e andei quase sem dormir… Quando começámos a ensaiar percebi que tinha uma carga muito grande em cima, mas sinto sempre muito orgulho e estou muito agradecido por estar nesta “Treta” histórica. O António Feio iria estar contente, decerto.

JPG – A peça vai continuar a ser uma “Treta”? Quais os temas que aborda?

A “Treta” fala de temas atuais e urbanos. Gentrificação, telemóveis, invasão do turismo nas nossas cidades e… coisas que inventamos no dia.

AM – Tem sido uma parceria de sucesso?

Acho que sim. Três meses no Casino de Lisboa sempre cheios e uma digressão com muitos espetáculos, também com casa cheia, são a prova disso. O facto de adorar estar ao lado do Zé Pedro ajuda um bocadinho também…

AM- Como descreve esta nova personagem? Júnior…

Este Júnior é um “cromo”, mas sempre com um bom fundo. Traz a nova geração dos telemóveis, das “apps”, das “startup’s” e das “selfies”, que mesmo a ele fazem confusão.

AM – Quere deixar um convite para assistir à peça?

Não percam “O Filho da Treta” em Guimarães, vão divertir-se muito em pouco tempo!

JPG – Uma palavra para quem quer assistia à peça.

Vamos estar em Guimarães depois de termos tido casas cheias de norte a sul. Tem sido uma felicidade. O melhor convite é este: depois não digam que não souberam que se iam divertir.

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