“VESPA” ESTREIA NO CCVF HOJE, DATA EM QUE O BAILARINO E COREÓGRAFO COMEMORA 60 ANOS

O Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, foi o palco escolhido para a estreia absoluta da mais recente criação de Rui Horta, um solo, interpretado pelo próprio. Após 30 anos de ausência, Rui Horta regressa aos palcos com “Vespa”. A peça estreia esta quinta-feira, dia 20 de abril, data em que o conceituado bailarino e coreógrafo celebra o seu 60º aniversário. O espetáculo sobe novamente ao palco do CCVF no dia 22.

“Rui Horta é um veterano selvagem. Só essa condição lhe permite, hoje, a ousadia e a obstinação de voltar ao palco após 30 anos de ausência. Ou é, ou não é. Então, que seja. Que haja luz, fogo, dor e, sobretudo, corpo. Que haja um raio que ilumina e destrói. Mas que haja. Que seja.

“Vespa” é uma peça sobre uma cabeça a explodir, sobre o que nem sequer falhámos porque nos coibimos de cumprir. Na dupla condição de voyeur, a do outro e a de si próprio, o público compõe o tétris do personagem em cena, desafiando a sua própria conceção do registo público e privado.

“Há coisas que temos dentro da cabeça. Como um zumbido a roer o pensamento”. Estas são as primeiras palavras de “Vespa” e aquelas que, nem sempre sendo ditas, transportam o mundo interior da criação: um parênteses, um tempo parado onde cristalizamos e cuspimos o que nos transcende e atormenta. Uma redenção feita júbilo, onde se expande o instante para um tempo mais vasto.

“Quando olho para os últimos meses, nem sei bem porque decidi fazer esta obra…”, confessa Rui Horta. “Provavelmente porque as coisas mais importantes são também as mais inexplicáveis e as menos racionais. Há quem lhes chame  ‘parar, por momentos, no caminho’. Tal como um serial killer que se esconde atrás dos seus crimes, também o criador se protege do olhar do público, escondido atrás das suas obras e dos seus intérpretes. A diferença é que este solo é uma possibilidade, uma fractal, marca fugaz, apenas isso. Um lugar desprotegido e, pelo menos no meu caso, por muito pessoal que seja, não é autobiográfico, não conta o homem e fala de futuro”.

Rui Horta é um dos mais conceituados bailarinos e coreógrafos do nosso tempo. Começou a dançar com 17 anos nos cursos do Ballet Gulbenkian e viveu em Nova Iorque onde completou e desenvolveu a sua formação. Foi professor e intérprete e, no regresso a Lisboa, prossegue a sua atividade tanto na formação de novos artistas como na condição de intérprete. Na década de 90 muda-se para a Alemanha e o seu trabalho ganha uma grande projeção, sendo considerado uma referência na dança europeia. Quando volta para Portugal funda O Espaço do Tempo, um centro multidisciplinar de residência e experimentação artística. Nas artes performativas, o seu trabalho estende-se ao teatro, à ópera e à música experimental, sendo igualmente desenhador de luz e investigador multimédia, universo que utiliza frequentemente nas suas obras.

Com “Vespa”, Rui Horta rompe assim uma longa ausência dos palcos e fá-lo, simbolicamente, na data em que celebra o seu 60º aniversário. Nesta quinta-feira, todos os caminhos vão dar ao Centro Cultural Vila Flor. Para quem não conseguir assistir à estreia, a peça sobe novamente ao palco do CCVF no dia 22, sessão em que o público poderá conversar com Rui Horta após o espetáculo.”

 

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