VIAGENS NA MINHA TERRA, SERZEDELO

por Raúl Peixoto

Não! Não ouso simular qualquer obra literária, nem mesmo aquela que Almeida Garret eternizou. Apenas fui convidado a escrever um artigo de opinião para o MaisGuimarães, na qualidade de Presidente da Junta de Freguesia de Serzedelo. Daí insurgir o mesmo debaixo deste título.

E vou iniciar a minha primeira viagem fazendo uma incursão pelo século XVI. Por essa altura, Serzedelo era emoldurado num contexto pertencente ao julgado de Vermoím, pertencente ao concelho de Barcelos. Posteriormente Santa Cristina impõem-se como orago desta vila, categoria conquistada em 1995, mas o dia 3 de maio, da Santa Cruz, dá motivo ao ícone da cultura material da vila, que ostenta um cunho significativo no panorama cultural vimaranense.

Hoje, 16 famílias serzedelenses engalanam-se, ao fazer transbordar a sua mais íntima dedicação para o asseio das suas cruzes. De igual trato os quilómetros de tapetes que percorrem a quase totalidade das artérias da vila no domingo da festa. Então, durante os primeiros dias daquele mês ’florido’, são inúmeros os forasteiros que querem testemunhar, na primeira pessoa, aquelas autênticas obras de arte compostas de flores de várias espécies, serrim, num colorido de rara beleza.

Do século XII ou XIII tivemos a sorte de ficar com um testemunho românico, o Mosteiro de Santa Cristina, padroeira da terra. Um monumento nacional desde 1927, que deixou de ter atividade religiosa pelos anos 90 e agora recebe iniciativas de índole cultural. Este constitui o ex-libris do nosso património material.

Deixo agora as viagens culturais e embarco por momentos numa figura. Aquela que dirige hoje os destinos da autarquia. No final do mês de novembro nascia no antigo lugar de Matos aquele que é hoje o autarca da Freguesia. Um motivo de saúde, poliomielite, logo nos primeiros meses de vida acaba por me ‘obrigar’ desde muito cedo a adoptar a companhia de duas canadianas, como auxiliares indispensáveis à minha locomoção.

Mormente esse infortúnio, as razões da inabilidade não se vergaram ao destino. E quis este que fosse contornando todos os obstáculos que me foram aparecendo na vida. Interrompi os estudos, mas por motivos financeiros, mas ainda regressei à vida académica, a tempo de concluir uma licenciatura, em 2013. Nesta altura, já o meu primeiro mandato à frente da autarquia tinha expirado. Porém, como o destino continuava a ser teimoso, desde logo se renovou por mais 4 anos e que se encontra agora a expirar. Pelo meio ficou uma vida plena de cidadania, sempre ao serviço das forças vivas da minha terra.

Desde a época em que experimentei na pele a vida de autarca, foi sempre com estas características, de ser humano que apesar de tudo se considera bafejado pela sorte, que enfrentei a realidade. Na luta está o meu futuro e o futuro da edilidade serzedelense. É meu presságio continuar a transmitir a todos aqueles que me seguem essa sagacidade e olhar o futuro dos meus conterrâneos com um forte pronuncio de mudanças para melhor!

Assim coloco um ponto final neste artigo de opinião, com o propósito de que o mesmo possa constituir um verdadeiro ensinamento de integração para todos aqueles que tiverem oportunidade de o ‘saborear’.

 

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