2000KM REDESCOBRIR PORTUGAL COM A CASA ÀS COSTAS

Neste ano incomum, a maioria dos portugueses, devido às limitações provocadas pela pandemia, optou por passar as suas férias dentro de portas. Encheram-se as casas de turismo rural no Gerês e na Serra da Estrela, o interior povoou-se, lotaram-se praias de norte a sul do país e até no Algarve o português voltou a ser a língua mais usada. Inventamos alternativas e desenrascamo-nos. Nisso continuamos mesmo muito bons.

Porto Covo é de passagem obrigatória ao percorrermos a Costa Vicentina

Outra das alternativas foram as férias em autocaravana. É sobre essas que vamos falar neste artigo. Férias de verão em autocaravana, com miúdos, praias (uma pequena loucura) e pela mítica nacional 2, a viagem na terceira maior estrada do mundo, que liga Chaves a Faro, nuns fantásticos 738km que vale bem a pena percorrer.

Praia da Nazaré

Partir à aventura

O objetivo era descobrir Portugal, partir sem destino claramente definido, e sem horários. Autocaravana atestada e lá saímos de Guimarães em direção a Aveiro, local da primeira paragem para almoço. Aveiro tem as suas riquezas, a ria e os ovos-moles que já toda a gente conhece, mas que tem muito mais e merece claramente ser visitada, assiduamente, esta Veneza portuguesa. Daí saímos para a Figueira da Foz, pela nacional, por Ílhavo e Mira até passarmos o Mondego e os seus arrozais a perder de vista. Marinha Grande, a capital do vidro, com as Matas Nacionais, o oceano constantemente à direita, antecederam a chegada à Nazaré. Visitámos a praia do Norte como sempre, o Forte de S. Miguel e descemos à vila para o jantar, peixe, evidentemente. A saída da Nazaré faz-se para S. Martinho do Porto e a sua baía perfeita, seguindo-se Foz do Arelho e a Lagoa de Óbidos.

Jantámos já em Setúbal, que o tempo de facto anda rápido quando estamos bem. De Setúbal avançámos para a Comporta, onde a praia de águas cristalinas e a areia dourada maravilharam todos. Comporta é, de facto, uma das mais extraordinárias praias portuguesas.

Porto Covo tornou-se o destino seguinte. Acordar com aquelas encostas escarpadas do Alentejo e aquele mar sem fim é algo que fica na memória. Fomos à Ilha do Pessegueiro e, ainda antes da chegada à Zambujeira do Mar, visitámos, com muito gosto, a Lagoa de Santo André.

Da Zambujeira arrancámos para Lagos, já para a Costa Algarvia, até à Ponta da Piedade. As praias de Lagos continuam fascinantes. Alvor, que fica ali ao lado, tornou-se um bom local para ficar uns dias, a desfrutar do sol e de alguma tranquilidade, da maior tranquilidade vivida este ano por terras algarvias. À noite, sempre dá para sair até uma das cidades da costa algarvia e desfrutar de um cocktail numa esplanada.

Depois do descanso, é hora de voltar a ligar os motores porque há que partir de novo à aventura, há um país para descobrir, agora pelo interior. E é preciso ir devagar, e só mesmo desta forma faz sentido. O km738 na nacional 2 fica ali ao lado em Faro e é o ponto de partida. A contagem é decrescente até Chaves.

Praia Fluvial de Góis, um paraíso entre as montanhas

A mítica Estrada Nacional 2

Um itinerário perfeito para descobrir a cultura e a paisagem do nosso país em toda a sua autenticidade. Ao percorrer a nacional 2 no sentido ascendente rapidamente percebemos que já entrámos no Alentejo profundo. Logo após a Serra do Caldeirão, podemos adorar as planícies e encontrar a pacatez de que necessitamos nesta fase deste encantador passeio. Aljustrel é uma boa localidade para encontrarmos isso.

Continuámos a viagem em direção a Montemor-o-novo, para visitar o castelo e descobrir uma cidade marcada pelo forte sentido histórico e muito tranquila no presente. A próxima paragem foi Abrantes, uns bons quilómetros depois, após uns mergulhos em Montargil.

De Abrantes vale a pena saltar até Constância, que fica uns minutos ao lado, à Vila Poema, conhecida por lá ter andado Camões, para visitar o Castelo de Almourol ou simplesmente relaxar na confluência entre os rios Zêzere e Tejo.

Seguimos viagem, mais uns bons quilómetros até Góis: Foi uma agradável surpresa. Perdida entre montanhas, Góis é uma localidade pacata e encantadora, com belíssimas praias fluviais, verdadeiros oásis de frescura nos dias quentes de verão. Como partimos de facto sem destino, tivemos o desafio de avançarmos até à Serra da Estrela, passando pelo museu do pão em Seia. Apesar de já estarmos no último dia da viagem, lá se uniram
as vontades e fizemos uns bons quilómetros, serra acima, até à Torre. A nossa serra contínua lindíssima

E com isso estava no tempo de realizarmos o último troço da viagem, e o mais longo, até Chaves. De Viseu, a terra do Dão, partimos para Lamego, onde é obrigatório visitar a Sé e o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, seguiu- -se Peso da Régua, depois Santa Marta de Penaguião e as suas paisagens inseridas no território do Alto Douro Vinhateiro, vistas
inigualáveis classificadas como património mundial pela UNESCO.

Serra da Estrela, no ponto mais alto de Portugal Continental

Vila Real é ponto de partida do último troço da Nacional 2, que merece destaque por estar inserido numa zona de montanhas rica em águas termais. Estrada que nos leva por Pedras Salgadas ou Vidago, onde reina um charme que nos faz viajar no tempo até à Belle Epoque. E chagámos a Chaves, ao km0, da maior e mais rica estrada portuguesa. Uma estrada que nos leva a descobrir o Portugal que por vezes ignorávamos, e que esta pandemia nos levou a, de novo, a encontrar.

Fica a certeza de que este é o melhor país do mundo para se viver, e para viajar.

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