45 ANOS DO 25 DE ABRIL ASSINALADOS NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

Uma Sessão Solene da Assembleia Municipal assinalou esta manhã, na Back Box da Plataforma das Artes, os 45 anos do 25 de abril. Desde o que já foi conquistado até ao que, na perspectiva de cada um, está por fazer, vários foram os temas abordados.

Numa cerimónia onde todos os partidos com assento na Assembleia tiveram oportunidade de se expressar, foi Sónia Ribeiro, do Bloco de Esquerda, que deu início aos discursos, afirmando que o 25 de abril não está ainda cumprido. “Passaram 45 anos da Revolução de Abril. 45 anos da construção de um Portugal melhor, de uma sociedade mais justa, mais igualitária e de futuro. Um futuro com escola pública, trabalho e justiça para todos. Mas ainda não está no lugar o direito à habitação, quando vemos tantos jovens a adiar a construção das suas vidas porque não têm uma casa que possam chamar sua. Abril não está cumprido”, começou por referir.

“Não está cumprido no que à saúde diz respeito, onde se espera que a doença não seja encarada como um negócio. É preciso que o SNS (Serviço Nacional de Saúde), cresça e que o investimento seja maior, para maior capacidade de resposta. O SNS é o pilar fundamental na prestação de cuidados”, acrescentou, explicando ainda que falta também “democratizar o ensino”, bem como conseguir “igualdade de oportunidades” que, na sua opinião, “está longe de ser concretizada”.

Miguel Ângelo Vieira, pela CDU, voltou a 1974 para falar de uma luta heróica que alterou o panorama nacional de forma “profunda”.  “Houve uma profunda transformação do panorama português, com o culminar de uma heróica luta. Ao contrário do que alguns querem fazer querer, o fascismo era miséria, fome, guerra, trabalho infantil, degradantes condições de saúde… Foi conquistada a liberdade de expressão, o direito à greve…”, começou para afirmar.

Para o deputado da CDU, a “democracia está refém de uma teia de influências”. “As redes sociais tentam reescrever a história, silenciando a luta heróica, deturpando a verdadeira simbologia. Pelo regime democrático, e inspirados por abril, devemos lutar contra a corrupção, as fake news, a demagogia”, concluiu.

Já Paulo Peixoto, em representação do CDS/PP, abordou a data como um “marco histórico”, apesar de muitos não saberem a que este feriado se refere. “Cerca de 60% da população portuguesa nasceu depois do 25 de abril e há quem ainda não saiba o motivo para a celebração deste dia e nós temos obrigação de o partilhar. Para além de apregoar abril, temos de praticá-lo e passá-lo às gerações mais novas”, explicou. Paulo Peixoto deixou ainda o repto: “Mas, porque não evoluímos abril? O calcanhar de Aquiles do 25 abril é pensarmos que ele já se alcançou. Não foi algo que se conquistou e ficou arrumado numa prateleira”, optou por destacar.

Uma democracia para os jovens foi o que Eduardo Fernandes, do PSD, quis salientar, destacando que a sua geração não viveu essa data e dá a liberdade como garantida. “Sempre demos a liberdade como adquirida, não pensamos muito sobre ela. A minha geração já é muito distante de 1974. Temos mais informação e um acesso mais facilitado a ela, mas há coisas que fomos perdendo, sobretudo no que diz respeito à história. A política tem de ser dos e para os jovens”, referiu.

Para Eduardo Fernandes a elevada abstenção é uma preocupação e é necessário voltar a levar os jovens, que há 45 anos estiveram envolvidos no 25 de abril, de novo para a política, para exercer o seu direito ao voto, para se envolverem mais na sociedade. “O voto é a nossa arma, não podemos descredibilizar algo que nos custou tanto a garantir”, exaltou o deputado.

A mobilidade social, que permite que todos tenham acesso aos mesmos serviços e que possam criar uma carreira foi ressalvada por Luís Soares, do PS. “O 25 de abril é a expressão de uma mudança abrupta no regime político. Mudou a liberdade de se lutar pelo que se acredita, de termos uma escola pública, de sermos tratados na doença, de vivermos em paz e em segurança. E com a liberdade veio a mobilidade. Quem nasce pobre não tem de viver para sempre na pobreza”, explicou.

“Abril foi esperança e com abril começamos o caminho da integração europeia. Com abril, vingou a ideia de liberdade, de livre circulação, expressão máxima de um projeto europeu. Abril valeu a pena”, concluiu Luís Soares.

José João Torrinha, presidente da Assembleia Municipal, fez referência aos 3 D’s que foram ordem no 25 de abril: “descolonizar, desenvolver, democratizar”. “O desenvolvimento que se verificou foi imenso, mas é um processo contínuo e eternamente inacabado”. Nas suas palavras, o que mais sentido faz atualmente é a democracia. “A democracia está em perigo. Não há democracia sem liberdade e não há liberdade com medo. O medo da crise, de perder o emprego, o medo do outro. O medo é péssimo conselheiro, limita-nos, faz-nos jogar à defesa”, afirmou José João Torrinha.

“Uma democracia em que os partidos estão em crise, é uma democracia que caminha para o precipício”, acrescentou ainda o presidente da Assembleia Municipal, que fez também referência ao papel da imprensa em toda a esfera social.

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