Alguns dos feirantes ouvidos esta manhã pelo Mais Guimarães manifestaram preocupação, sobretudo com as condições do piso e o pó provocado pela circulação de pessoas e viaturas. Há também receios de que a mudança de localização possa levar a uma redução da afluência de clientes durante o período da intervenção.
Apesar das dificuldades, o município faz um balanço positivo do primeiro dia. Alberto Martins, vereador da Câmara Municipal de Guimarães, reconhece que a adaptação implica mudanças, mas considera que a transição decorreu de forma tranquila.
“O balanço só pode ser positivo”, afirmou o vereador ao Mais Guimarães, sublinhando que a autarquia esteve em contacto com feirantes, a associação que os representa, comerciantes e visitantes.
Alberto Martins admite que o Campo de São Mamede “não é um recinto preparado para a feira semanal”, mas considera que, na generalidade, a resposta foi positiva. O responsável destaca ainda a presença de muitos visitantes e turistas, alguns dos quais aproveitaram a deslocação ao Monte Latito e ao Castelo para visitar também a feira.
Uma das medidas adotadas pela Câmara passa pela isenção das taxas pagas pelos feirantes durante os quatro meses em que a feira estiver deslocada.
Linha 3 gratuita facilita acesso
A alteração do local trouxe também desafios ao nível da mobilidade. Para facilitar o acesso ao Campo de São Mamede, a Câmara Municipal decidiu tornar gratuita, às sextas-feiras, a Linha 3, que passa junto ao recinto com uma frequência de cerca de 20 minutos.
Segundo Alberto Martins, a medida “teve o efeito pretendido”. O vereador diz ter verificado no local uma utilização significativa do transporte público e relata que alguns vimaranenses lhe transmitiram que, sem esta solução, não teriam ido à feira.
“Verificámos in loco que a Linha 3 foi amplamente utilizada pelos vimaranenses”, afirmou, considerando que a solução permite também “potenciar e dinamizar a feira semanal” durante este período de transição.
A autarquia decidiu ainda criar uma solução de transporte entre a zona do Multiusos de Guimarães e o Hospital da Senhora da Oliveira, uma vez que o parque de estacionamento do recinto da feira ficará indisponível durante a intervenção.
A medida pretende incentivar os automobilistas a utilizar os parques existentes junto ao Multiusos, assegurando depois uma ligação para quem necessita de se deslocar para o hospital ou para outros serviços da zona.
A possibilidade de manter esta solução para além da conclusão das obras está já em avaliação. “Ao longo destes meses vamos perceber de uma forma mais concreta se a medida será apenas delimitada no tempo com base também no que é a obra ou se irá eventualmente ser dilatada”, explicou Alberto Martins.
Município tenta resolver acesso das carrinhas mais altas
Outra preocupação identificada pela autarquia prende-se com a altura de algumas das viaturas utilizadas pelos feirantes. O projeto da cobertura do recinto apresenta zonas com um pé-direito mais reduzido, situação que poderá dificultar o acesso de algumas carrinhas.
A Câmara já está a trabalhar numa solução antes do início da obra. “Hoje mesmo foi possível também uma equipa tirar as medidas das carrinhas mais altas e nós já temos isso devidamente documentado”, revelou o vereador.
Estão identificadas viaturas com dimensões que poderão criar dificuldades. A autarquia está em contacto com o empreiteiro e com a equipa de projeto para perceber se será possível introduzir alterações durante a execução da obra.
“Se pudermos em obra resolver esse problema, iremos fazê-lo”, garantiu Alberto Martins.
A obra ainda não arrancou, estando neste momento a ser preparada a instalação do estaleiro. Durante os próximos quatro meses, a Feira Retalhista continuará no Campo de São Mamede, num período que será também um teste à capacidade de adaptação dos feirantes e dos próprios clientes a uma nova localização.