No final dos anos 90 Vítor Fernandes era um dos mais promissores pilotos de motocross do país. Sem ter passado pela formação da modalidade, começou a pilotar já adolescente, quase adulto, e rapidamente atingiu um nível prenunciava grandes feitos.
O facto é que a carreira de Vítor Fernandes, iniciada em 1998, não foi além do ano de 2002. Acabou sem a glória que lhe parecia destinada, com pouco mais que um segundo lugar no Campeonato Regional Norte, num ano em que fez três provas das seis que compunham o campeonato e venceu as três. Só não foi campeão porque, nessa altura, a aposta já era completa nas provas do Campeonato Nacional. “Como as provas do Regional coincidiam com as do Nacional eu tinha que fazer opções e a opção era claramente nas provas do Nacional”, diz o piloto de Arões.
Naquela altura, com 16 anos e uma margem de progressão muito grande, não foi difícil atrair patrocinadores. Vítor era piloto oficial da Yamaha Portugal e dispunha de duas motas por época para correr. Além disso o piloto tinha o apoio da Moto-Fundador e de outros patrocinadores com capacidade. “Foram anos bons em que havia dinheiro a circular na modalidade”, recorda Vítor Fernandes. “Cheguei a ter um patrocinador de equipamento, que me oferecia sete equipamentos completos por época.”
As roturas de ligamentos, umas atrás das outras, nem sempre bem recuperadas pela ânsia de voltar para cima da mota, ditaram o abandono
Um piloto que não tinha andado nos escalões de formação, nas 80 cm³, andar nos dez primeiros do nacional e às vezes aparecer entre os cinco primeiros, era surpreendente. O selecionador chamou-o para estagiar com os melhores, em França, e quando tudo apontava para uma carreira sempre a subir, surgiram as lesões. “Sou um tipo muito propenso à queda, não me foco”, lamenta Vítor. Primeiro um joelho e o calvário das operações, depois o outro e novamente o primeiro. As roturas de ligamentos, umas atrás das outras, nem sempre bem recuperadas pela ânsia de voltar para cima da mota, ditaram o abandono. “Uma altura o médico disse-me que tinha que parar ou ficava numa cadeira de rodas”, diz o piloto. Foi assim que em 2002 acabou uma carreira quase sem começar.
“O objetivo era voltar às corridas em 2016 e agora cá estou”
Vítor nunca se conformou muito bem com o veredicto do médico, mas a dores nos joelhos e a falta de estabilidade na articulação não lhe permitiam correr. Habituado ao desporto, foi fazendo sempre atividade física, nomeadamente, musculação, bicicleta de estrada e BTT. Ao mesmo tempo ia acompanhando o motocross por fora. “Aquilo que mais me incomodava era ver pilotos, nos EUA, com lesões mais graves que a minha a voltarem a correr”. A certa altura, em 2015, a vontade de correr era tanta que resolveu iniciar um programa de treino, para perder peso e recuperar massa muscular nas pernas e estabilidade nas articulações. “O objetivo era voltar às corridas em 2016 e agora cá estou”, diz o piloto com um sorriso.